Marca presente em qualquer governo totalitário e ditatorial, a censura e a perseguição a grupos que pensam o contrário do governante são constantes. No Brasil comandado pelos militares, milhares de pessoas foram perseguidas, presas, torturadas e mortas só por pensarem ou apoiarem a luta por uma democracia verdadeira – muitos casos vindo à tona ou apenas tendo confirmação só agora. Para quem nasceu depois desse período, já com liberdades de expressão garantida, chega a ser difícil imaginar que houve um tempo em que ser contrário a algo poderia significar a morte. Mas a literatura sobre esse tema é vasta, e nos faz conhecer os horrores de viver sob o peso da censura.

Infelizmente, não foi só o Brasil que viveu sua ditadura. Tais regimes fazem parte da história política de muitos países, e alguns ainda vivem sob eles. Para a ganhadora do Nobel de Literatura de 2009, Herta Müller, romena de origem alemã, falar sobre esse tema é parte central de sua obra. Filha de um ex-soldado da SS nazista na Segunda Guerra Mundial, Herta nasceu na Romênia, para onde muitos alemães foram enviados após o fim da guerra. Esquecidos no país, essa minoria composta por milhares de alemães viveram sob o regime comunista de Nicolae Ceausescu, que durou de 1965 a 1989. A violência desse período fez parte da vida de Herta, que no romance Fera d’alma usa parte de sua história real para contar o drama de jovens perseguidos pela Securitate, a polícia romena a serviço de Ceausescu.