Em um mercado onde as editoras exploram romances com amor e seres sobrenaturais para atrair o público jovem, chega uma história onde não há nem vampiros, nem anjos, nem zumbis. E muito menos um casal meloso. Jogos Vorazes, da norte-americana Suzanne Collins, conquistou críticos e leitores por fugir do clichê editorial da vez usando uma sociedade futura que sofre com a escassez e a arbitrariedade. Com uma sinopse que promete sangue, violência e morte, é até estranho encontrar no livro, primeiro de uma trilogia, o selo Rocco Jovens Leitores, mas é para esse público mesmo que ele se destina. Uma violência adaptada.

Algumas séries rendem mais do que os livros que as compõe. Crepúsculo, que ainda não teve todas as edições publicadas, veio com o extra A Breve Segunda Vida de Bree Tanner. Harry Potter, além dos 7 livros da saga, apareceu com Animais Mágicos e Onde Habitam, Contos de Beedle, o Bardo e Quadribol Através do Séculos. Isso falando apenas do que seus próprios autores fizeram, porque há muitos outros títulos de gente pegando carona no sucesso dessas séries. Com o lançamento do último livro de Percy Jackson & os Olimpianos, de Rick Riordan, também veio o seu bônus: Os Arquivos do Semideus.

O término de uma saga sempre tem uma aura triste. Mesmo sem ter acompanhado o lançamento de cada nova história, a última vem com aquele gosto de despedida. Com Percy Jackson & os Olimpianos, de Rick Riordan, não poderia ser diferente. Prometendo 5 livros para a série que coloca nos tempos atuais a mitologia grega, chegou no início de agosto O Último Olimpiano, pela editora Intrínseca, volume final da história do semideus filho de Poseidon. Nesse livro, Percy conhecerá inteiramente seu verdadeiro destino, e lutará para salvar o Olimpo.

Se há na literatura tantas boas histórias que figuram no meio fantástico, por que não contar uma que fale justamente de onde vem essas histórias? Qual a origem da inspiração para que autores e trovadores inventem casos tão interessantes para ler e ouvir? Pode-se tratar apenas de uma imaginação aguçada, ou talvez de uma segunda lua que gira em velocidade descomunal em volta da Terra, abastecendo-a com a água do Mar de Histórias, de onde vem todos os contos do mundo.

Quem não conhece Mogli, o garoto criado por animais no meio de uma selva? Neil Gaiman não esconde qual foi sua inspiração para escrever O Livro do Cemitério. O Livro da Selva, de Rudyard Kipling, foi a base para esse romance infantojuvenil, então não estranhe a semelhança. Esse é o último lançamento do autor inglês aqui no Brasil pela editora Rocco no selo Jovens Leitores, que traz uma história tocante e inteligente recomendada para homens e mulheres, jovens e adultos, vivos e mortos.

Dos livros infantojuvenis que estão sendo publicados ultimamente, os de Cressida Cowell são os mais encantadores. Não só pelas personagens de nomes esquisitos e nojentos – e por isso muito engraçados – , ou então por conter dragões, monstros e vikings. Não, Cressida coloca em seus livros algo muito maior que aventuras mirabolantes: ela dá sentido às suas histórias. Ela busca a moral do que conta, quer passar uma lição que seja relevante. Algo clichê dos contos de fadas, mas que não deve ser perdido. Assim como fez em Como Treinar o Seu Dragão, Cressida multiplica a diversão no livro Como Ser um Pirata, publicado recentemente pela Intrínseca.

Pegue Harry Potter e tire as bruxas, magos e elfos. Tire a trama da Inglaterra e a coloque em Nova York. Agora adicione mitologia grega e misture com três adolescentes: um corajoso, um paspalhão e uma menina super inteligente. Deixe no forno por alguns minutos e eis a série Percy Jackson e os Olimpianos, do americano Rick Riordan. Leiam bem: não estou chamando Riordan de plagiador de J. K. Rowling. Não! Nem dizendo que Percy e Harry são iguais. Mas há sim semelhanças entre as duas personagens, o que justifica o título de “novo Harry Potter” dado à série.