#LeiaSciFi2015

Eu sei que você assistiu Eu, robô, filme de 2004 estrelado por Will Smith – bela cena de banho, aliás. Se não assistiu, pelo menos viu o trailer. O personagem de Will é um detetive investigando a morte de um renomado cientista da robótica, que aparentemente se suicidou jogando-se da janela de seu escritório. Porém, analisando o local do crime, ele se depara com um robô de um modelo nunca antes visto, que passa a ser o principal suspeito dessa morte. Só que – e coloquem um grande “só que” nisso –, é impossível que o robô tenha cometido o crime, e isso por causa da principal das três leis da robótica que diz: “Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano venha a ser ferido”. E por aí o filme vai…

O longa, todos sabem, é inspirado nas histórias de Isaac Asimov, um dos maiores escritores da ficção científica e autor – junto com o editor John Campbell – das três leis da robótica. A primeira é a que consta acima. A segunda lei assegura que os robôs seguirão estritamente as ordens dadas por um humano, a não ser que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei. Já a terceira delimita que um robô “deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou com a Segunda Lei”. Ou seja: um robô não pode matar, não pode deixar ninguém morrer, não pode desobedecer e também não pode se destruir – afinal, robôs são caros pra caralho. Meu primeiro contato com Asimov foi com o seu primeiro romance com robôs, As cavernas de aço, lido no ano passado e que, mesmo apresentando uma ideia interessante sobre o futuro, não me agradou tanto na escrita. Mas com Eu, robô¸ tive uma impressão diferente de Asimov, gostando muito mais do seu trabalho como contista.

Faltam poucos dias para 2014 acabar (poderia colocar o número de dias aqui, mas sou tão ruim com números que poderia errar esse cálculo fácil, então vamos usar o “poucos dias” mesmo), e esse foi um ano bom profissionalmente, pessoalmente, mas fraquíssimo na minha intensidade de leitura – provavelmente por estar tão ocupada com as coisas fora dos livros, né – e também por usar o tempo no ônibus para dormir mais.

Mas vamos lá: foram 27 livros lidos ao todo (sim, só isso), e há ainda quatro em processo de leitura – Graça infinitaque está maravilhoso, O demônio do meio-dia, que interrompi justamente por causa do Graça, mas que também estava ótimo, A balada de Adam Henry, a atual leitura de ônibus (pois né, difícil carregar DFW por aí), e Oblómovque já vou até considerar aqui como “abandonado” porque sei que vou levar eras até pegar ele de novo – tiro da conta o Dom Quixote marcado como “lendo” no Goodreads porque li o primeiro volume no ano retrasado e falta só o segundo, hehe.

As três leis da robótica dizem que: 1 – “Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano venha a ser ferido”; 2 – “Um robô deve obedecer as ordens dadas por seres  humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei”; 3 – “Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou com a Segunda Lei”. Essas leis são fundamentais para a construção e convivência pacífica entre robôs e humanos, e são as primeiras coisas “instaladas” em seus “cérebros”. Mas a ameaça dos robôs vai além dessas três leis para os personagens de As cavernas de aço, o primeiro romance que trata do universo da robótica escrito por Isaac Asimov.

Como o próprio texto introdutório de Asimov publicado nesta edição lançada no ano passado pela Aleph explica, o autor já havia colocado os robôs como centro de seus contos, publicados em revistas especializadas em ficção científica a partir dos anos 1940. Apesar de já ter escrito romances, As cavernas de aço foi o primeiro texto longo com os homens de lata e cérebros artificiais. Na história, Elijah “Lije” Baley, um investigador da polícia de Nova York, é colocado para trabalhar num caso de assassinato ocorrido na Vila Sideral – local onde moram os Siderais, um povo dos mundos exteriores pouco apreciado pelos humanos. O homem morto é um famoso cientista que projeta robôs, e o caso é mantido às escondidas pelo fato de ser impossível um humano entrar, cometer um crime e sair sem ser visto da Vila – o que pode abalar muitas relações diplomáticas com os outros mundos.

A ficção científica foi um gênero bastante explorado no século passado. Histórias com novos mundos, em sociedades diferentes e novos contextos povoaram os livros e encantaram leitores, servindo de material para muitos dos filmes que Hollywood tanto adora fazer. Não há estilo melhor para se pensar o futuro e refletir o presente. E hoje isso continua sendo feito, seja em grandes romances ou em pequenas histórias que exaltam os maiores autores de ficção científica que deram a base para essa nova geração.