nao-ha-nada-laHá muita coisa em Não há nada ládesculpem o trocadilho, mas é verdade. Há William Borroughs, Aleister Crowley, Fernando Pessoa, Raymond Roussel, Torquato Neto, um tal Conde de Lautréamont, Arthur Rimbaud, Jimi Hendrix e até Lúcia, que quando pequena viu com seus irmãos a aparição de Nossa Senhora de Fátima. É uma mistura inusitada que parece não ter relação alguma, mas como o próprio Joca Reiners Terron coloca no final do livro, certos aspectos biográficos dessas figuras conseguem ser mais ficcionais que a própria ficção. Mas apesar de todo esse elenco, o protagonista desse livro (com nova edição pela Companhia das Letras) é a própria literatura.

É pelo fim que Não há nada lá começa, em 2 de agosto de 1997, dia da morte de Borroughs, que no livro é Guilherme Burgos¸ quando ele mesmo diz: “Pergunto-me como seria a morte do livro. Diga, como morrem os objetos perfeitos?”. E ao lançar o livro para o alto, surge um Tesseract, um objeto geométrico misterioso, um hipercubo que reaparece em outros momentos do livro atravessando o tempo e o espaço. A partir daí, o livro se alterna em capítulos curtos narrando os encontros e segredos por trás de cada personagem e suas relações com o cubo e um livro que também se revela para eles em distintos momentos. A realidade dessas personagens se mistura à fantasia que Joca Reiners Terron cria.