Só porque as listas de bons livros lidos nos anos anteriores sumiram do blog – aquele problema lá que me obrigou a passar horas subindo todas as resenhas novamente -, e porque estou com vontade de fazer uma lista, aqui vai o meu top 16 de melhores leituras do ano. Queria que fosse um top 5, ou no máximo um top 10, mas revendo a lista de livros lidos de 2013 vi que seria impossível fazer uma seleção mais enxuta.

Foi um ano de bons livros, apesar de ter lido menos que o esperado por ter que me dedicar mais ao final do curso de jornalismo e usar boa parte do meu tempo de leitura para isso – aos curiosos, podem me considerar formada. Talvez se eu ainda estivesse no meu ritmo antigo de leitura essa lista fosse maior. Talvez. Mas estou satisfeita com o que li, e principalmente com o que conheci durante esse ano.

Empregar um olhar inusitado sobre um determinado fato é o que todo jornalista sonha ao redigir uma matéria ou reportagem. Em anos de profissão, e com uma concorrência grande com outros jornalistas, articulistas e escritores, o maior pecado é cair no clichê, ou parecer pouco interessante. Não é fácil ter a “sacadinha genial” que vai fazer crescer a curiosidade do leitor logo no primeiro parágrafo e impulsioná-lo a ler o resto do texto. É por causa dessas abordagens pouco usuais que acabo lendo reportagens sobre um cuidador de cobras, um presidente de um país qualquer, a vida de pessoas de uma comunidade no meio do nada ou como funciona um banheiro químico. Não basta saber apurar ou escrever, tem que saber como tornar um fato realmente interessante, por mais que ele já seja, e dar a ele uma leitura nova.

Ler Pulphead: O outro lado da América foi ter uma aulinha de como escrever de um jeito fora do comum. John Jeremiah Sullivan já é considerado um dos principais ensaístas em atividade nos Estados Unidos, sendo comparado à Tom Wolfe e David Foster Wallace, como a quarta-capa da edição da Companhia das Letras afirma. A apresentação escrita pelo crítico James Wood também só aumentou a curiosidade de lê-lo – que havia surgido através de recomendações e pela participação de Sullivan na Flip de 2013. No primeiro ensaio deste volume, pude comprovar essa característica que me fez gostar do autor.