Com a mudança para São Paulo, o trabalho, a vida social (que agora posso considerar ter agora), e eu estar dando muito mais atenção para a televisão (tenho que justificar os R$ 150,00 da NET que venho pagando), não encontro muito tempo para escrever mais resenhas – até o número de livros lidos diminuiu consideravelmente. Mas calma, não estou desistindo do trabalho, só estou mais preguiçosa mesmo. Por isso, vou falar rapidinho de algumas leituras que fiz durante o ano até agora que não ganharam uma resenha própria por “n” motivos – como não saber como falar deles sem uma segunda leitura, ou achar que o texto ficaria muito ruim e preferir nem começar. Então aí vai:

Em todo ano, por umas três ou quatro vezes, algum livro se transforma na coqueluche editorial. O sucesso, nacional ou internacional se espalha tanto que 8 em cada 10 leitores vão querer ler para confirmar o alvoroço em torno do livro, ter argumentos contrários, matar a curiosidade, ver “qual é” a desse autor – os outros dois leitores não leem simplesmente porque o livro está muito mainstream e preferem não entrar nessa discussão da maioria, nem para falar bem, nem para falar mal. Em 2010, isso aconteceu com Liberdade, do norte-americano Jonathan Franzen. Um romance tão aclamado que a editora que o publica no Brasil, a Companhia das Letras, procurou lançá-lo o mais rápido possível. Considerado o livro do século – isso porque estávamos apenas na primeira década dos anos 2000 –, uma obra tão boa que até a Ophra, que estava meio “brigada” com o escritor, voltou a considerá-lo. Enfim, Jonathan Franzen virou celebridade por conta de Liberdade.

De pedra em pedra se monta um castelo e de gota em gota se forma um rio. Há vários desses ditados populares que querem dizer, basicamente, que aos poucos algo se torna grande. Grande o bastante para se tornar perceptivelmente bom ou, em muitos casos, insuportável. A rotina de Alfred e Enid Lambert é assim: nas pequenas ações de cada um, forma-se um ambiente opressor, deprimente e decadente. As pequenas torturas diárias que o casal de idosos confere um ao outro extrapolam a vida conjugal e estendem seus tentáculos para os três filhos. Eles, com suas próprias vidas, tão diferentes da dos pais, vão alimentando hábitos, pensamentos e escolhas que só contribuem para uma existência dolorosa e vazia enquanto divergem sobre a razão e o futuro do velho casal.