“A mãe pousou o livro nas mãos do filho. […] O rapaz tinha seis anos, fugiu-lhe a atenção, distraiu-se, mas não se desinteressou pelo livro, apenas deixou de o interrogar enquanto objeto em si, começou a questioná-lo de maneira muito mais abstrata, enquanto intenção, enquanto sombra de um ato.” Não há como falar de Livro sem apresentar o trecho inicial desse romance de José Luís Peixoto. Seria pecaminoso ignorar outra passagem que ele protagoniza: “Se namorares comigo, dou-te um pombo, cem escudos e um livro.” A importância do livro nesta história vai além do próprio objeto, e seu significado é mais do que um monte de páginas reunidas cujo corpo contém letras, sejam elas de que idioma for.