Janna Levin não sabia que os cientistas do grupo Ligo (sigla em inglês para Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferometria Laser) haviam detectado ondas gravitacionais quando enviou para alguns deles uma versão quase pronta de seu livro, A música do universo. Durante anos, a física e jornalista entrevistou dezenas de pessoas envolvidas no projeto que tem como objetivo comprovar a teoria das ondas gravitacionais de Albert Einstein. Quando estava finalizando seu manuscrito, o que tinha de material eram as histórias por trás dessa iniciativa: a burocracia para conseguir fundos, as intrigas entre os cientistas, os seus temperamentos difíceis e o trabalho para tirar tudo do papel. Mas meses antes do centenário da teoria de Einstein e do livro de Levin ser lançado, o Ligo detectou ondas causadas pela colisão de dois buracos negros a milhões de anos-luz da Terra. A teoria estava comprovada. As ondas gravitacionais existiam. Einstein estava certo: dois corpos celestes de grandes massas eram capazes de provocar ondas que se propagavam na malha do espaço-tempo do universo como o som que sai de um tambor e chega ao seu ouvido – impossível de ser visto, mas podendo ser sentido.