Ao ler qualquer obra cuja edição data de antes dos anos 1970, percebe-se muita diferença entre a gramática utilizada no texto e a atual. Assim como acontece nos clássicos da literatura em língua portuguesa que contém termos que não usamos mais. Uma prova mais do que certa de que a língua muda, não importa qual. Da mesma forma, hoje utilizam-se palavras que aparecem em algum texto obscuro nos jornais ou na internet que naquela época não existiam. Os neologismos de cada dia que preenchem e modificam o vocabulário. Essas novas palavras são o tema central de Milagrário Pessoal, livro do angolano José Eduardo Agualusa, que é uma viagem pelos países da língua portuguesa e uma homenagem ao próprio idioma.

Desde 1 de janeiro do ano passado, a Língua Portuguesa está unificada. Ou melhor, desde 2009 estão tentando unificá-la. Nesta data, entrou em vigor o Novo Acordo Ortográfico, que visa igualar a escrita do português em países que falam o idioma. Acentos foram removidos, assim como hífens, formando palavras visivelmente estranhas, mas sonoramente as mesmas de sempre. Muitos foram contra, pensando na dificuldade em se adaptar às novas regras – que já eram complicadas de aprender antes. Mas não teve jeito: a escrita mudou, e temos mais algum tempo até o “antigo” modelo ortográfico ser completamente deixado de lado.