Dentro de uma sociedade pequena, onde as notícias correm rápidas em questão de minutos, o boato de que uma morte está prestes a acontecer deveria mobilizar a todos para que ela fosse impedida. Mas alguma coisa nas personagens de Crônica de uma morte anunciada, romance de Gabriel García Márquez, publicado no ano em que recebeu o Nobel, leva a todos dessa cidade a não fazerem nada além de espalhar mais ainda a notícia e esperar para ver se essa morte realmente aconteceria, transformando todos em cúmplices de um assassinato considerado improvável.

Um narrador quase desconhecido – não fossem as menções à sua mãe e irmãos, também personagens – reconstitui anos depois da tragédia as últimas horas de vida de Santiago Nasar, um jovem de boa vida de uma pequena cidade do litoral colombiano. Não só seus últimos momentos, o narrador procura desvendar o que motivou sua morte e mostrar porque esse assassinato tão anunciado não foi impedido por ninguém. Com um texto curto e direto como um relato jornalístico que explora a fala de diversas personagens, García Márquez constrói essa crônica absurda sobre a fatalidade que abarcou o protagonista e a reação de toda essa sociedade à notícia antecipada.