No começo do ano, postei uma pilha de livros que eu gostaria de ler em 2021. Tinha Joan Didion, Svetlana Aleksiévtich, Audre Lorde, clássicos como Mrs. Dalloway, Eu sou um gato e O grande Gatsby – como não leio muitos clássicos, queria dar mais tempo para eles. Ontem retornei a essa foto e postei ela novamente no Instagram apenas para dizer: é, não rolou. Nenhum daqueles livros foram lidos. Ainda quero ler? Óbvio, claro. Mas eu falhei totalmente em fazer isso nesse ano.

Sabe aquele livro que te chama a atenção na livraria e você não pensa duas vezes antes de levar? Capa bonita, sinopse interessante, tudo nele grita “me compre!”, e você obedece. Com Uma noite, Markovitch, de Ayelet Gundar-Goshen (Todavia, tradução de Paulo Geiger) foi assim. Faz alguns anos que vi ele na livraria e comprei sem saber muita coisa. E por não saber muito acabei demorando horrores para ler. Nem mesmo quando Gundar-Goshen veio para a Flip, no ano passado, eu tirei ele da estante. Mas nesse ano chegou a sua vez. 

Para mim é difícil separar a obra de Domenico Starnone da de Elena Ferrante. Mesmo que os boatos de que os dois autores italianos sejam casados seja apenas isso, boatos, é inegável que seus livros conversam, e muito. Como Laços Dias de abandono, em que um parece ser o contraponto do outro. Durante a leitura de Segredos, seu mais recente romance lançado no Brasil (Todavia, tradução de Maurício Santana Dias), vi elementos de Ferrantes em vários momentos da história. Mas as semelhanças que, no começo do livro, me faziam lembrar Nino e Lila da tetralogia napolitana logo se desfizeram.  

Histórias sobre suicidas têm um certo apelo para mim. Houve uma época, anos atrás, que eu estava numa fase de ler só sobre suicídios: As virgens suicidas, do Jeffrey Eugenides; Norwegian Wood, do Haruki Murakami; Suicídios exemplares, do Enrique Villa-Matas. O que talvez diga muito sobre o meu psicológico daqueles dias. Sempre fui voltando para essas histórias, mas com parcimônia. A desse ano foi O amigo, de Sigrid Nunez (Editora Instante, tradução de Carla Fortino), vencedor do National Book Award de 2018.  

Sim, já recebi e li o novo livro de Elena Ferrante, A vida mentirosa dos adultos (tradução de Marcello Lino). A edição que comprei foi a do clube de assinatura Intrínsecos, da editora Intrínseca, que lançará o livro no formato padrão em setembro. Quando anunciaram um novo livro de Ferrante, nem me atentei muito sobre o que ele seria. Era Ferrante, já queria, e foi assim mesmo que comecei a leitura, sabendo pouca coisa.

Berta Isla e Tomás Nevinson se conhecem desde a adolescência. Cresceram em Madrid, mas Nevinson tem dupla nacionalidade – a mãe é madrilenha, o pai é inglês. Por isso mesmo, após o colegial, ele parte para Oxford, onde chamu a atenção de um professor que havia trabalhado para o MI6 durante a Segunda Guerra Mundial. Nos últimos anos da ditadura de Franco, Nevinson se vê recrutado – praticamente obrigado – a trabalhar como agente secreto.

Meu primeiro contato com Siri Hustvedt foi com o livro O mundo em chamas, uma trama feita de retalhos que contava a história de uma artista plástica e seu experimento sobre como o mercado da arte, a mídia e o público recebem de formas diferentes o que é produzido por uma mulher e o que é produzido por um homem. Com digressões sobre a arte em si, sobre neurologia e psicologia, O mundo em chamas se tornou um dos meus livros favoritos. Mas quando fui ler outras obras da autora, como Os encantamentos de Lili Dahl e O verão sem homens, o furor que senti com seu romance mais recente não veio.