As vidas de pintores de talento e dedicação ilustram um romance que se alterna entre os tempos atuais e o século XIX. Em Os Ladrões de Cisne, livro de Elizabeth Kostova, o destaque está no Impressionismo, nos detalhes dos quadros que narra transportados para seu texto, num amor que dura séculos e é difícil de explicar. Lançada nova edição pela editora Intrínseca, o romance oscila entre a beleza de um amor atemporal e a monotonia da narração de uma vida perturbada, tentando ser desvendada por pessoas que dela fizeram parte.

O principal narrador dessa trama é o psiquiatra Andrew Marlow, que tem em suas mãos um paciente peculiar: Robert Oliver, um pintor norte-americano renomado que foi preso após tentar atacar um quadro no National Gallery, em Washington. Marlow, também um pintor nas horas vagas, se interessa pelo estranho caso, mas consegue apenas algumas palavras de seu paciente. Robert entra em um estado de profundo silêncio, passando seus dias internado apenas pintando o rosto da mesma mulher e relendo incessantemente um maço de cartas de aparência antiga. Para desvendar o que atormenta seu paciente, Marlow decide usar de um método que pode comprometer sua carreira: falar com as mulheres que fizeram parte da vida do pintor.

Jovem e de carreira promissora, Bill Clegg vive em Nova York e trabalha como agente literário. Morando com o namorado cineasta, apesar de toda aparência que procura manter para seus clientes, funcionários e sócia, aos poucos Clegg se afunda mais no vício do crack. As súplicas de amigos, familiares e do próprio namorado não são o bastante para convencê-lo de se internar, e a cada dia, ele se descontrola ainda mais até atingir a ruína. Bill é um personagem real, que relata seus dias de viciado e traz lembranças da sua juventude já regada de drogas no livro Retrato de um viciado quando jovem, lançado recentemente pela Companhia das Letras. Enfurnado em hotéis da cidade com litros de vodca e à procura de sexo, pouco a pouco se perde nas paranóias que viram rotina em sua vida.

Clegg se divide em dois narradores para diferenciar os momentos anteriores ao início do vício em crack, droga que conhece no apartamento de Nova York de um advogado famoso de sua cidade natal. Alternando os capítulos com as últimas semanas em que consome a droga descontroladamente com os de suas lembranças infantis, Clegg fala de si mesmo quando criança e adolescente como se fosse outro. Em terceira pessoa, apresenta o menino de cinco anos de idade com problemas para urinar, o garoto humilhado pelo pai que se refugia nos livros apresentados por uma amiga quando adolescente. O “eu monstro”, o que não consegue passar nem 20 minutos sem fumar crack, não se reconhece na sua própria infância cujas lembranças são esparsas.

Em 1912, um livro intitulado Autobriografia de um Ex-Negro foi publicado nos Estados Unidos. Sem identificação de autoria e com um narrador sem nome, o livro foi tomado como um relato real das condições raciais nos EUA no final do século XIX e começo do XX. Em 1927, o livro ganhou uma segunda edição, dessa vez com autoria creditada à James Weldon Johnson, um dos principais nomes pela luta dos direitos dos negros no país. Em 2010, Autobriografia de um Ex-Negro ganhou sua primeira tradução para a língua portuguesa por Robertson Frizero, publicada pela editora 8Inverso. Considerado um clássico da literatura afro-americana, a falsa autobiografia revelou à sociedade como a questão racial era vista e discutida entre brancos e negros depois da Guerra Civil.

O protagonista/narrador inicia sua história pela infância. De pele clara, ele foi confrontado com sua origem ao ser classificado como negro por sua professora da escola. Filho de mãe negra e pai branco, o garoto inteligente e talentoso que adorava piano abraçou a cultura e comunidade negra e sentiu diretamente o tratamento diferenciado que os negros recebiam. Mas na verdade, ele mesmo passou a se ver e se tratar de modo diferente. A questão sobre igualdade de direitos para os negros virou um assunto de extremo interesse, avaliando as diferentes nuances com que o negro vê o homem branco e vice-versa.

Em 1888, na noite de 7 de novembro, Jack, O Estripador, fez sua última vítima: Marie Kelly, prostituta, assim como todas as outras mulheres que matou. Mas esse assassinato não tirou apenas uma vida. Ele acendeu a vontade de acabar com outra, a do jovem Andrew Harrington, amante de Marie Kelly. Inconformado com a morte de sua amada, oito anos depois o jovem rico de Londres decide tirar sua própria vida. Porém, seu primo e melhor amigo, Charles Winslow, o convence a desistir do suicídio apresentando-lhe uma maneira de salvar Marie Kelly: viajar no tempo e matar o serial killer.

O homem reverencia a guerra. Embora desfrute dos tempos de paz, quando o assunto são combates, lutas e armas, o homem se sente atraído por sua força de destruição. Na literatura histórica, são as guerras que fornecem a maior parte do material narrativo, por serem acontecimentos que mudaram o mundo, afetaram países e milhões de vidas. Exemplo maior desse estilo é Bernard Cornwell, autor de mais de 40 livros que reconstituem fatos da História alinhando-os à ficção. Tomando o mesmo rumo, também temos Conn Iggulden, que se consagrou com a série O Imperador e esteve este ano no Brasil para a Bienal do Livro de São Paulo. Mas não foi nessa série, ainda inédita para mim, que vi esse fascínio pela guerra. Foi em O Conquistador, trilogia que conta a vida deGêngis Kahn, líder que uniu as tribos da Mongólia.

Desde 1 de janeiro do ano passado, a Língua Portuguesa está unificada. Ou melhor, desde 2009 estão tentando unificá-la. Nesta data, entrou em vigor o Novo Acordo Ortográfico, que visa igualar a escrita do português em países que falam o idioma. Acentos foram removidos, assim como hífens, formando palavras visivelmente estranhas, mas sonoramente as mesmas de sempre. Muitos foram contra, pensando na dificuldade em se adaptar às novas regras – que já eram complicadas de aprender antes. Mas não teve jeito: a escrita mudou, e temos mais algum tempo até o “antigo” modelo ortográfico ser completamente deixado de lado.

Algumas séries rendem mais do que os livros que as compõe. Crepúsculo, que ainda não teve todas as edições publicadas, veio com o extra A Breve Segunda Vida de Bree Tanner. Harry Potter, além dos 7 livros da saga, apareceu com Animais Mágicos e Onde Habitam, Contos de Beedle, o Bardo e Quadribol Através do Séculos. Isso falando apenas do que seus próprios autores fizeram, porque há muitos outros títulos de gente pegando carona no sucesso dessas séries. Com o lançamento do último livro de Percy Jackson & os Olimpianos, de Rick Riordan, também veio o seu bônus: Os Arquivos do Semideus.

Tinha largado totalmente essa (pequena, possessiva e materialista) sessão do blog, mais eis que a Feanari, lá do Blablabla Aleatório, fez com que eu me lembrasse de um grande desejo meu: a série As Aventuras de Sharpe, de Bernard Cornwell. Mas esse não é um desejo simples. A série que narra batalhas das Guerras Napoleônicas na visão do militar Richard Sharpe tem, digamos, um número considerável de exemplares. E não é só os que já foram publicados aqui no Brasil que eu quero. Aí fica complicado.

O término de uma saga sempre tem uma aura triste. Mesmo sem ter acompanhado o lançamento de cada nova história, a última vem com aquele gosto de despedida. Com Percy Jackson & os Olimpianos, de Rick Riordan, não poderia ser diferente. Prometendo 5 livros para a série que coloca nos tempos atuais a mitologia grega, chegou no início de agosto O Último Olimpiano, pela editora Intrínseca, volume final da história do semideus filho de Poseidon. Nesse livro, Percy conhecerá inteiramente seu verdadeiro destino, e lutará para salvar o Olimpo.

Quando fui saber quem era John Boyne vi seu nome ligado ao best-seller O Menino do Pijama Listrado. A obra é bastante recomendada, mas dela vi somente uma imagem de sua adaptação cinematográfica. Imagem essa que dizia ser uma história triste, que pega pela emoção. Quando peguei O Palácio de Inverno, terceiro livro do autor publicado no Brasil pela Companhia das Letras, esperava apenas mais uma boa história que mistura a ficção à realidade, e não algo tão emocionante. E levar o leitor a pensar isso, inicialmente, é o objetivo do livro.