Juremir Machado da Silva diz que Gustavo Machado pode entrar na lista dos grandes jovens escritores gaúchos. O que, segundo ele, talvez possa não acontecer, por conta da sorte similar a de Mick Jagger que o jornalista possui. Mas eu digo que sim, Machado pode estar nessa lista. Não que eu tenha alguma autoridade para afirmar isso, mas seu primeiro livro foi um belo começo. Sob o Céu de Agosto, lançado semana passada pela editora Dublinense, é uma daquelas histórias raras capazes de prender o leitor por um dia inteiro, e que o simpatiza com uma personagem que tem mais defeitos do que virtudes.

Para quem já leu os divertidos romances policiais de Tailor Diniz, entrar em contato com os sete contos de Transversais do Tempo vai ser motivo de estranhamento. A narração leve e descontraída do autor gaúcho dá lugar à textos densos com uma carga extra de tragédia. Em 2007, recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura de melhor livro de contos e também foi premiado pela Associação Gaúcha de Escritores. E não é por menos. Apesar da grande diferença entres seus romances, Transversais do Tempo, em edição da Bertrand Brasil, merece igualmente ser lido.

O bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, abriga não só os ricaços da capital gaúcha. Ele esconde os segredos e desejos daqueles que se julgam a alta classe da sociedade, mas que são tão baixos quanto a “plebe” que tanto abominam. Em Moinhos de Sangue, Ana Cristina Klein mostra que não há perfeição em morar em um apartamento de luxo nos bairros nobres de Porto Alegre ou participar de suas grandes recepções. Por mais glamour que esse livro possa ter, o que o leitor encontra são crimes e preconceitos retratados com muito humor.

O romance policial de Tailor Diniz não fica apenas no mistério. Em poucas, mas boas páginas, o escritor gaúcho mistura humor e crítica em narrativas que encantam por retratar de forma tão natural o cotidiano do Rio Grande do Sul. Assim como em Um Terrorista no Pampa, o leitor que já vivenciou a vida calma do interior se identificou totalmente com a pequena cidade de Passo da Barca. Agora, porto-alegrenses e pessoas que passam os dias na capital gaúcha também vão se ver na literatura em Crime na Feira do Livro, recém lançado pela editora Dublinense.

Com o objetivo de divulgar autores gaúchos no próprio estado e dar mais visibilidade para seus livros, autores, jornalistas e pessoas ligadas à literatura organizaram um “evento” muito bacana. É o Campeonato Gaúcho de Literatura, que confronta livros publicados em 2008 e 2009 para escolher o melhor, o com mais técnica, com os melhores “jogadores”… Enfim, o com a história mais envolvente e mais bem feito. E quem vai julgar isso? São várias partidas que definirão os classificados para a grande final, e juízes vão apitar os jogos, ou melhor, fazer resenhas. Legal, não é? Legal também é que eu, Taize Odelli, fui escolhida para ser um dos juízes do CGL!