Existe um grande apelo por trás de histórias de pessoas diferentes, algo que grita que “esse livro vai te fazer chorar”. Por “pessoas diferentes”, me refiro àquelas que possuem algo que as distinguem de todas as outras e afetam a sua convivência social. Pessoas que não são facilmente aceitas entre todos os outros, pois muitas barreiras foram impostas para que isso fosse possível. Pode ser a história mais simples, escrita da maneira mais agradável e acessível a todos, mas que mexe com alguma coisa ligada a emoção, aquele tipo de mensagem de superação que amolece o coração dos mais rabugentos. Só lendo a sinopse, fica bem claro que Extraordinário é uma dessas histórias.

O livro de R.J. Palacio tem todas aquelas características básicas de um young adult: frases curtas, muitos diálogos, tiradas bem-humoradas e personagens cativantes, ingredientes para um livro que entretém o bastante para a leitura ser rápida e prazerosa – o que não abre muito espaço para um desenvolvimento mais aprofundado da trama, mas esse não é o objetivo aqui. No caso de Extraordinário, assim como em A culpa é das estrelas, de John Green, ainda há um drama delicado que desafia a convivência harmoniosa do protagonista com o resto do mundo. August Pullman tem 10 anos, e é um menino normal. Brinca como qualquer garoto da sua idade, gosta de Star Wars e videogames, seu pai, mãe e irmã mais velha o amam, é inteligente e engraçado. Conhecendo apenas o que ele faz e o que gosta, não há quem diga que ele não seja comum. Contudo, o que o seu rosto apresenta é um obstáculo a ser superado não só por ele, mas por todos com quem convive.

Antes de qualquer coisa, um livro onde boa parte das personagens tem câncer não pode ser, de forma alguma, um livro feliz. Mesmo se for voltado para o público jovem, que geralmente espera por uma leitura divertida, romântica, cheia de aventuras e situações maravilhosas que mostrem a eles tudo de bom e incrível que a literatura pode fazer – e os leva, de uma forma equivocada, a pensar que a vida pode ser incrível como a ficção. A culpa é das estrelas está bem longe de ser um desses livros de finais felizes, por mais que sua leitura tenha sido divertida e repleta dessas situações maravilhosas. John Green escreveu momentos que não vemos acontecerem na vida real com muita frequência, que inspiram sim um romantismo meio fora dos padrões, mas as personagens desse autor têm câncer, são pacientes terminais e ele não cria um milagre para confortar o leitor no fim. E o fim é bem doloroso.

Hazel Grace Lancaster tem 16 anos. Aos 13 foi diagnosticada com câncer, e não havia nada que pudesse ser feito: era uma paciente terminal, não viveria até a idade adulta. Mas um remédio – fictício, deve-se ressaltar – conseguiu estender um pouco mais os seus dias na terra, e por conta dele se tornou uma “sobrevivente temporária” do câncer, permanentemente presa a um cilindro de oxigênio, pois seus pulmões não funcionam como deveriam funcionar. Em um encontro de apoio para esses sobreviventes no “coração literal de Jesus”, ela conhece Augustus Waters, um garoto de 17 anos que perdeu uma perna para a doença. Assim como os típicos romances jovens, o interesse entre os dois é rapidamente despertado: no mesmo dia que se conhecem, já partem para uma tarde assistindo V de Vingança, vivenciam a falta de ar da paixão recém descoberta – o que é bem irônico, no caso de Hazel. Enfim, se aproximam rapidamente para algumas semanas depois caírem de amores um pelo outro.

Não tem jeito: livros infantojuvenis realmente atraem. É uma forma de ainda manter contato com a fantasia da infância, mas com um pé nos desafios que assombram qualquer adulto. E, a meu ver, é o estilo mais divertido da literatura, porque é possível trabalhar diversos assuntos e torná-los interessantes para qualquer pré-adolescente. Foi por isso que resolvi encarar o novo livro de Rick Riordan publicado pela editora IntrínsecaA Pirâmide Vermelha, que abre a série As Crônicas dos Kane. E apesar das características que incomodaram em Percy Jackson e os Olimpianos estarem presentes também nessa série, Riordan mostra que sabe trazer a mitologia para o mundo atual, e faz isso muito bem.

A editora Intrínseca volta com a série de livros infantojuvenis repleta de vikings, dragões, arrotos, gritos e aventura. Não canso de repetir que todos os garotos gostariam de ler uma fantasia tão divertida como a criada pela autora Cressida Cowell, e volto a afirmar o mesmo sobre Como Falar Dragonês, terceiro dos oito livros que compõem a saga de Soluço Spantosicus Strondus III e seu dragão Banguela. Para quem vive na lua, os dois são os protagonistas dos livros Como Treinar o Seu Dragão (adaptado para o cinema com sucesso) e Como Ser um Pirata, histórias que falam de inteligência e amizade de forma tão natural e simples que é impossível não ler tudo de uma vez só.

Dezoito anos depois de Haroun viajar até a segunda lua (invisível) da Terra, onde havia um Mar de Histórias que terminava no Lago da Sabedoria, de onde canos (também invisíveis) levavam a água mágica para os contadores de histórias, surge uma nova aventura. Mas dessa vez não é Haroun quem protagoniza a nova viagem. Nessa história, ele já é grande demais para isso, e o heroi da vez é seu irmão mais novo, Luka. Vemos o já então conhecido Xá do Blá-Blá-Blá, o contador de histórias Rashid Kahlifa, pai dos garotos, mais uma vez em risco.