Dias comuns viram literatura com personagens que se perdem em reflexões sobre o que rodeia suas vidas. Identificadas ou não, essas pessoas falam de suas dúvidas, dores e angústias pelas palavras da escritora gaúcha Daniela Langer em No inferno é sempre assim e outras histórias longe do céu, coletânea de contos publicada recentemente pela editora Dublinense. As histórias falam de pessoas normais com que topamos todos os dias pelas ruas, mas para as quais damos pouca atenção.

Dividindo o livro em duas partes – Histórias longe do céu e No inferno é sempre assim –, Daniela pega personagens comuns e deles tira angústias e expectativas que ocupam suas vidas. Acontecimentos que podem durar poucos segundos são transformados em minutos ou horas pela autora. Ela intensifica o detalhe, metaforiza e adjetiva pequenas ações, seja o voar de uma mosca, o suor escorrendo pelas costas, o beber de um copo de cerveja bem gelada ou o estirar-se na areia da praia. Nenhuma ação passa despercebida pelo texto de Daniela, que com suas palavras consegue remeter o leitor a sensações que já vivenciou.