Para Mohsin Hamid, a literatura é um tipo de autoajuda. Nas entrevistas que concedeu aqui no Brasil e durante sua mesa na Flip 2014, era isso o que ele dizia quando perguntado sobre o motivo de ter escrito um romance com a linguagem dos livros de autoajuda. Tudo começou com uma brincadeira, disse ele, até que pensou: peraí, mas por que lemos? Não é para nos encontrarmos dentro dos livros, ou então escaparmos da nossa realidade? É uma boa maneira de enxergar a literatura e os livros. Que, mesmo que não estejamos lendo pequenas pílulas de inspiração e conselhos provindos da sabedoria popular, filosófica ou macrobiótica (vai saber), nosso impulso inicial ao escolher uma leitura é o entretenimento e o conhecimento que podemos adquirir através dela. Logo, a literatura tem um papel, sim, de nos ajudar – mas não em todos os casos, claro.

Tudo isso só para dizer que Como ficar podre de rico na Ásia emergente é um livro de “autoajuda”. Escrito como um desses livrinhos famosos que enumeram passos para uma vida plena e de riquezas, ele conta a sua história. Você é o filho caçula de uma família que vive numa aldeia de algum grande país da Ásia. Você está tremendo de febre no chão, na sua cabana, e sua mãe e seu pai não podem fazer muito para te ajudar. Você já perdeu irmãos para a doença. Mas você sobreviverá, sua família vai sair do interior e fixar residência em uma das cidades mais populosas do mundo, você vai trabalhar numa locadora de DVD como entregador e vai conhecer a menina bonita, uma garota que mora próximo à sua casa e com quem você sonha um dia ter coragem para puxar papo. Mas seu maior desejo é ficar rico. E você vai começar do nada o seu “império”, primeiro vendendo comida vencida barata, e depois água engarrafada.