capa_cartier_bresson.inddUm dos primeiros nomes que ouvi quando comecei meu curso de Jornalismo foi o de Henri Cartier-Bresson, na aula de Fotografia. A excelência geométrica de suas fotos em preto e branco foi projetada na parede da sala pelo professor, enquanto apresentava a esses projetos de jornalistas que éramos as mais famosas imagens de um dos maiores fotógrafos do século XX. Para aquele grupo de alunos recém-saídos da adolescência, Cartier-Bresson poderia parecer apenas mais um nome “clássico” evocado pelo professor que logo seria esquecido. Mas para os que já estavam se apaixonando pela fotografia, HCB permaneceu como o grande mestre do registro fotográfico. Foi o homem que revolucionou o fotojornalismo, mesmo não ambicionando atuar nessa área.

Em Cartier-Bresson: O olhar do século, Pierre Assouline disseca toda a vida do artista-que-se-tornou-fotógrafo com rigor cronológico. Todo o legado que HCB deixou para a fotografia está presente nas 400 páginas recentemente publicadas pela L&PM em edição de bolso. O autor, amigo do fotógrafo, utiliza tudo o que recolheu em cinco anos de conversa com a lenda das lentes – falecido em 2004 –, seus arquivos, entrevistas e publicações que se debruçaram sobre a vida de personagem tão controverso. Controverso por não ver o seu próprio trabalho como arte (a maior pretensão profissional do francês foi, desde o início, ser pintor), enquanto seus colegas, jornalistas e editores o colocavam no pedestal de gênio, aquele que trouxe para o simples registro do factual a poesia. Por impregnar suas fotos com alma e sentimento, não apenas com informações.

enciclopedia-dos-quadrinhosUma coisa difícil de entender no mundo dos quadrinhos é como muita gente ainda os considera “coisa de criança”. Para mim, desde o começo, gibis, HQ’s, graphic novels, enfim, álbuns e tirinhas que num olhar superficial são destinados às crianças servem para qualquer idade. Se eu pegar agora um dos gibis da Turma da Mônica ou do Pato Donald que li quando pequena, vou me divertir tanto quanto naquela época. Assim como Peanuts é uma das minhas tiras favoritas desde a infância, e que parece trazer muito mais significados para os adultos que para as crianças com suas ironias e reflexões sobre a vida. O mesmo para Mafalda e muitas outras histórias que fizeram a infância de muita gente e ainda são admirados por eles, independente da idade.

Há muito por aí para provar o contrário, de que só porque é desenho, é infantil. Olhe só Maus, de Art Spiegelman. As HQ’s reportagem de Joe Sacco com sua cobertura de conflitos. Os próprios super-herois que cresceram junto com seu público e hoje são muito mais voltados para adultos que para crianças, como no seu início. Chega até a ser cansativo repetir que “quadrinho é coisa séria” porque isso é praticamente uma obviedade. É uma arte que já se espalhou tanto que precisa de uma, duas, muitas enciclopédias para reunir os principais nomes que fizeram e fazem história. É aí que nos deparamos com Enciclopédia dos quadrinhos, que surgiu primeiro em 1990 organizada por Goida, e agora volta em uma edição atualizada, revisada e ampliada com a participação de André Kleinert e publicada também pela L&PM.

o-lobo-do-marQuando pensamos em um livro clássico, a imagem de uma leitura densa e difícil é a primeira que temos. Pois assim é a maioria desses livros aclamados pela crítica e estudados na academia. São reflexos de uma época em que a fala era “mais difícil”, ou melhor, que era mais rebuscada e bem diferente da nossa atual língua, cheia de gírias e novas variações. E por isso consideramos sua leitura truncada, pois houve expressões que nunca ouvimos antes. Mas com Jack London não foi assim. Ao ter em mãos O Lobo do Mar, que recém ganhou edição de bolso da editora L&PM, me deparei com uma leitura fácil, rápida e prazerosa, uma história que se iguala à grandeza que é o oceano, cenário desse livro.

Escrito em 1904, O Lobo do Mar é narrado por Humphrey van Weyden, um conhecido crítico literário à deriva depois do naufrágio do vapor em que havia embarcado na cidade de São Francisco. Resgatado por uma escuna, conhece Wolf Larsen, o capitão do navio que se dirige ao Japão para a temporada de caça de focas. Diferente do que esperava, o capitão se recusa a deixá-lo voltar a São Francisco e o obriga a viajar junto com o Ghost rumo ao Japão, tendo que trabalhar no navio e aprender toda a arte da navegação. Mas o mais impressionante para Van Weyden nessa viagem não é o oceano e seus perigos, e sim o próprio capitão Wolf Larsen, um homem frio, duro, materialista e extremamente inteligente. Ele não acredita em religiões ou em eternidade, leitor de Charles Darwin, tem comportamento extremamente evolucionista, aquele em que o mais forte prevalece e vive.

Na semana passada, o curso de extensão A Trajetória do Livro e da Ediçãodo qual participo –, promovido pela Unisinos, levou até os alunos os editores Paulo Lima, da L&PM, Tito Montenegro, da Arquipélago, e Carlos Gianotti, da editora da Editora Unisinos. Com conversa transmitida via webconferência – é um curso à distância –, eles foram questionados pelos alunos acerca das funções de um editor e, principalmente, sobre questões do mercado editorial, o principal assunto abordado no curso. Do que foi discutido nesse encontro, o que mais me chamou a atenção foi realmente a opinião dos editores sobre o livro digital e a importância da internet para a divulgação de lançamentos.

Depois que a internet invadiu o cotidiano brasileiro, principalmente através das mídias sociais, as empresas não puderam ignorar esse fenômeno. Toda organização já tem o seu blog, ou pelo menos a maioria tem, pois essa é a forma mais “primitiva” de propagar conteúdo gratuíto sem muitas formalidades, e é tão eficaz quanto os mais recentes Twitter e Facebook. Mas nesse momento tão “virtual”, são poucas as editoras que fazem uso dos blogs para proporcionar aos seus leitores ainda mais informações sobre livros e autores que publica. Felizmente, isso está mudando.

Palavras podem ser tão devastadoras quanto bombas. Ditas na hora errada e para pessoas erradas, têm o poder de destruir vidas como se elas estivessem no meio da própria guerra. Elas comprometem pessoas e destroem laços. São armas e também mecanismos que nos levam a lembrar do que deveria ser esquecido. Os Informantes, do colombiano Juan Gabriel Vásquez, prova como as palavras exercem esse poder. O livro é uma narração surpreendente sobre traições e mágoas que envolvem uma família e sua rede de amizades.

Como prometido, aqui vai a segunda leitura da semana. Os Informantes, do colombiano Juan Gabriel Vásquez, é um livro sobre a consequencia das palavras. Publicado pela L&PM, o livro conta a história de um pai e um filho, ambos chamados Gabriel Santoro. O primeiro é um renomado professor de oratória de Bogotá, o segundo um jovem jornalista. Vásquez alterna sua narrativa entre os anos 40 e 90, revelando histórias que marcaram a vida das duas personagens.

A editora L&PM divulgou em sua newsletter uma entrevista com o professor Luís Augusto Fischer, coordenador da coleção É só o começo, que traz clássicos adaptados para leitores iniciantes. O lançamento dessa coleção, que conta com títulos como Robinson Crusué, Romeu e Julieta e O Cortiço, já foi assunto aqui no r.izze.nhas e gerou uma boa discussão sobre as alterações em livros para adequá-los a linguagem atual. Enquanto alguns tem uma visão otimista, voltada para o incentivo da leitura, outros já ficam com o pé atraz e falam da descaracterização das obras.

No ano de 1911 a França viveu dias de assombro: sua mais valiosa obra de arte havia sumido. A italiana Mona Lisa, que até então “morava” no museu do Louvre, foi levada debaixo dos olhos de todos. Durante dois anos ela ficou assim, desaparecida, e não havia pista alguma que levasse até ela. Os detalhes desse maior roubo de arte da história estão em Roubaram a Mona Lisa!, um relato envolvente de R. A. Scotti.