No começo do ano, postei uma pilha de livros que eu gostaria de ler em 2021. Tinha Joan Didion, Svetlana Aleksiévtich, Audre Lorde, clássicos como Mrs. Dalloway, Eu sou um gato e O grande Gatsby – como não leio muitos clássicos, queria dar mais tempo para eles. Ontem retornei a essa foto e postei ela novamente no Instagram apenas para dizer: é, não rolou. Nenhum daqueles livros foram lidos. Ainda quero ler? Óbvio, claro. Mas eu falhei totalmente em fazer isso nesse ano.

Nada como uma tragédia familiar para te fazer ficar presa em um livro. Sou da opinião de que todo leitor de ficção é um grande fofoqueiro, então essas histórias são perfeitas para a sede de fofoca que habita em nós. Histórias de gente que podemos imaginar como sendo nossos vizinhos, fuxicando uns com os outros sobre a vida alheia e seus segredos. Foi com isso em mente que li Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso, um sucesso literário dos anos 1950 que ganhou nova edição pela Companhia das Letras.