Capa Granta 9.inddToda antologia que pretende reunir o “melhor” de qualquer coisa vem carregada de polêmicas. Como a recepção de um texto é muito baseado na subjetividade – suas preferências e experiências determinam o que será apreciado ou não, mesmo reconhecendo a qualidade literária de um texto que pouco agrada –, a lista dos 20 melhores jovens escritores brasileiros de cada um seria diferente da que os jurados da Granta formaram. Sempre haverá alguém para dizer que aquele outro escritor merecia estar no lugar desse aqui, que gosta dos livros e contos de X mais do que dos de Y. Que reclama que W nem ao menos tem um livro próprio publicado ainda, então o que está fazendo nessa lista? Reclamações à parte, falta dizer que a palavra “melhores” não quer dizer nada. Cada um tem os seus “melhores”, e nesse caso, ela vem para mostrar alguns destaques que, futuramente, podem ser reconhecidos como os “melhores” de nossa literatura.

Fazendo um comentário geral, quando os nomes dessa nona edição da Granta em português foram anunciados, achei as escolhas bem justas e previsíveis. Parte dos escolhidos eu já havia lido, outra parte eu já havia ouvido falar com elogios. O resultado foi o esperado: nomes bem vistos pelos críticos, com uma ou duas surpresas que mostram que não são só os já “famosos” que ganham espaço na revista. A expectativa ao começar a ler, claro, é grande, se espera realmente o “melhor” de cada escritor, pois foi assim que a revista foi vendida. Mas apesar de bons, não é exatamente o melhor que se encontra – novamente, a subjetividade da literatura.

diario-da-quedaEm que momento da vida paramos para reavaliar aquilo pelo que passamos? O que desencadeia essa autorreflexão sobre o que fizemos em vida e o que causamos a outras pessoas, como tratamos aqueles com quem convivemos? Qualquer um deve passar por um desses momentos, por algo decisivo que desencadeia a reflexão e nos leva repensar tudo o que sabemos sobre a vida refletindo sobre o passado, para, assim, criar a base de um futuro. Em Diário da queda, romance de Michel Laub lançado pela Companhia das Letras no ano passado, é uma notícia a dar ao seu pai que leva o protagonista-narrador a escrever sobre os pontos de virada na sua vida, na de seu pai e de seu avô.

Para o narrador, esse primeiro momento ocorre na adolescência. A história começa na Porto Alegre dos anos 1980, e acontece em um aniversário de 13 anos de um colega que, diferente dele e de seus outros amigos da escola, não é judeu. João é um gói que, para se sentir um pouco mais próximo de seus colegas, ganha um falso Bar Mitzvah do pai. No momento em que o narrador e seus amigos devem levantar o aniversariante por 13 vezes, na última deixam-no cair propositalmente, um daqueles atos infantis e cruéis que terminam em remorso e culpa. A tal queda custa a João meses de recuperação e fisioterapia, e ao narrador a sua consciência.