Os contos de fadas e filmes de terror estabeleceram a imagem da bruxa em nosso imaginário. Mulheres velhas, narigudas, com verrugas, que andam em vassouras e participam de cultos ao diabo em volta de fogueiras. Comem criancinhas e realizam outros sacrifícios. Jogam pragas e fazem feitiços. Crescemos com essa concepção de bruxa, e ela é, talvez, ainda a primeira coisa que vem na nossa mente quando ouvimos essa palavra.

Fome, pestes e guerra: durante toda a sua existência, o homem teve que superar essas tragédias para se manter vivo. A fome dizimava populações inteiras, metade das pessoas na Terra podiam perecer a uma nova peste que matava rapidamente, durante séculos nações viveram em pé de guerra e os momentos de paz mundial eram apenas pequenos intervalos entre um conflito e outro. No século XXI, esses “problemas” foram minimizados: as pessoas morrem mais de diabetes e obesidade que de fome; novas doenças são rapidamente isoladas e combatidas; conflitos entre nações ainda existem, mas a morte por homicídio e até suicídio superam as mortes em guerras. Vivendo nesse tempo de paz constante, qual será a próximo passo do homo sapiens?

Janna Levin não sabia que os cientistas do grupo Ligo (sigla em inglês para Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferometria Laser) haviam detectado ondas gravitacionais quando enviou para alguns deles uma versão quase pronta de seu livro, A música do universo. Durante anos, a física e jornalista entrevistou dezenas de pessoas envolvidas no projeto que tem como objetivo comprovar a teoria das ondas gravitacionais de Albert Einstein. Quando estava finalizando seu manuscrito, o que tinha de material eram as histórias por trás dessa iniciativa: a burocracia para conseguir fundos, as intrigas entre os cientistas, os seus temperamentos difíceis e o trabalho para tirar tudo do papel. Mas meses antes do centenário da teoria de Einstein e do livro de Levin ser lançado, o Ligo detectou ondas causadas pela colisão de dois buracos negros a milhões de anos-luz da Terra. A teoria estava comprovada. As ondas gravitacionais existiam. Einstein estava certo: dois corpos celestes de grandes massas eram capazes de provocar ondas que se propagavam na malha do espaço-tempo do universo como o som que sai de um tambor e chega ao seu ouvido – impossível de ser visto, mas podendo ser sentido.

Pense na imagem de um espião. Tente visualizar o seu comportamento, como se veste, como fala, como age, e como são suas missões. A referência que temos para isso vem, basicamente, do cinema. Os espiões de filmes são homens charmosos, inteligentes, fortes, astutos, e que invariavelmente acabam destruindo metade de uma cidade em uma perseguição e chamam toda a atenção para si – sempre rodeados por mulheres, claro. Trabalhar em uma agência de espionagem parece ser bem atraente, se formos nos guiar pela imagem que Hollywood construiu para esses profissionais. Bem, isso não existe dessa forma em Argo.

Escrito por Antonio Mendez e o jornalista Matt Baglio ao mesmo tempo em que o filme dirigido e estrelado por Ben Affleck era produzido, Argo: Como a CIA e Hollywood realizaram o mais estranho resgate da história revela em detalhes a operação que tirou do Irã seis fugitivos norte-americanos que escaparam da embaixada dos Estados Unidos no país em 1979, que fez mais de 50 pessoas reféns. A história havia sido mantida em segredo por 17 anos, até que a CIA retirou o regime de confidencialidade da operação, utilizando-a como um case de sucesso na comemoração dos 50 anos da agência. O filme de Affleck deixou bem claro que o cinema não precisa de grandes explosões e efeitos especiais para se ter uma boa cena de ação, de deixar todos que assistem apreensivos. Já o livro não conta com essa carga de tensão que o longa adicionou à trama para deixá-la mais dinâmica e interessante, ele é muito mais explicativo, mas mesmo assim mantém os olhos grudados nas páginas ao fazer o leitor entrar nos bastidores de uma operação da CIA. É claro que essa aura de “herói” que o cinema confere aos espiões e agentes secretos existe em Argo, mas com muito menos glamour do que pensamos.