Por trabalhar com redes sociais para uma editora, o que mais ando vendo no fim do ano são as listas de melhores livros do bendito ano. E eu não aguento mais tanta lista. Já tem até uma lista das melhores listas de melhores livros (please, stop listas, mas essa é bem legal porque mostra umas estatísticas das listas, como número de autoras mulheres, homens, traduções, brancos, negros que aparecem nelas etc.). Mas se eu não suporto mais ver tanta lista por aí, por que estou fazendo uma? Porque é tradição, porque quero relembrar o que li esse ano, porque o Google adora e vivo recebendo visitas no blog por causa delas (rs).

De acordo com o DATAr.izze.nhas (a página de livros lidos), o número de títulos que eu li vem caindo a cada ano, shame on me. Já cansei de procurar desculpa para justificar isso (ano passado foi a mudança para São Paulo), então vou jogar a real e dizer que às vezes estou tão cansada, mas tão cansada, que só quero deitar no sofá e encarar a parede (ou então assistir novela mesmo). Ou talvez esteja desenvolvendo alguma dificuldade de me manter concentrada em uma coisa só. Mas ainda consegui reunir nove livros que gostei muito mesmo de ler em 2015, entre coisas que comecei no ano passado (beijo, DFW) e até uma releitura. Então, segue a listinha em ordem cronológica de leitura. 🙂

Em 2011, Enrique Vila-Matas aceitou o convite para participar da Documenta, uma exposição de arte sediada na cidade de Kassel, na Alemanha (seria Kassel a Inhotim da Europa?). Conhecido como um evento que apresenta o que há de mais novo no mundo da arte, o rótulo vanguardista da Documenta, à princípio, não o deixa muito animado. É da arte vanguardista que seus colegas riem, pensa o escritor, são ideias “inovadoras” facilmente rejeitadas. Mas esse não é o tipo de pessoa que ele quer ser, alguém que zomba daquilo que propõe ser novo, inédito, diferente. Aceitando participar, viaja à cidade onde fica por alguns dias, mais contemplando as obras e refletindo sobre a literatura e a arte do que, de fato, sendo parte da obra – ou, pelo menos, da obra que ele deveria representar. O relato – romanceado – desse convite e de sua participação está em Não há lugar para a lógica em Kassel, recém-lançado no país com tradução de Antônio Xerxenesky. A tarefa de Vila-Matas na Documenta é sentar em um restaurante e escrever, assim como outros colegas escritores fizeram. Escrever e interagir com possíveis curiosos que venham lhe perguntar o que está escrevendo. Dar ao visitante a oportunidade de conversar com o autor sobre seu processo criativo enquanto ele está realmente criando, quem sabe. Mas a perspectiva de passar dias sentado à mesa de um restaurante chinês durante algumas horas em uma cidade alemã não lhe é muito empolgante, e logo a animação que sente ao raiar do dia vai sendo soterrada pela ansiedade de estar à espera de ninguém tendo que escrever “ao vivo”.