Costumo ter algumas fases em que livros sobre certos temas me interessam mais. No início do ano, a minha obsessão literária eram os livros sobre suicídios, boa parte deles protagonizados por jovens que não teriam, aparentemente, motivo algum para tirar a vida. No momento as leituras andam bem dispersas em se tratado de temas, mas tenho planos de ler mais sobre questões do cérebro e da memória. E apesar dessa gama enorme de assuntos e abordagens que a literatura tem, meu interesse sempre acaba voltando para as histórias de amor. Não há pessoa que em algum momento da vida não lide com esse sentimento, de estar apaixonado ou enamorado por alguém e fazer toda sua rotina girar em torno disso. Então me animei quando, recentemente, a Companhia das Letras anunciou a publicação pelo selo Penguin-Companhia de uma série de textos clássicos na coleção Grandes Amores, começando com O diabo no corpo, de Raymond Radiguet, e Os mortos, de James Joyce.

Como os títulos sugerem, essas “grandes histórias de amor” não parecem ser daquelas que terminam felizes – essas são justamente o meu tipo preferido. Comecei lendo O diabo no corpo, uma clássica novela francesa publicada originalmente em 1923, escrito pelo jovem Radiguet, que morreu com pouco mais de 20 anos de idade. Radiguet era um prodígio das letras que escrevia desde a adolescência, e sua história se reflete no protagonista de O diabo no corpo. A esposa de um soldado que está nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial se envolve com um jovem de 16 anos, que conta sua história de amor “proibido” com a mulher de 19 anos. São dois jovens, mas a sociedade da época os condena pela relação.

Quando vem a tona o assunto fantasia, os livros citados desse gênero são predominantemente estrangeiros. Todos lembram do maravilhoso mundo tolkeriano, seus monstros e magias, ou de grandes romances que misturam história às lendas nórdicas, gregas ou egípcias, de civilizações extintas, antigas ou lendárias. São temas que mexem com o imaginário e são recorrentes na fantasia. Porém, não vemos que a própria cultura brasileira e suas misteriosas matas podem ser ótimos cenários para histórias igualmente mágicas. O livro Duplo Fantasia Heroica, um projeto publicado pela Devir, mostra que o Brasil é sim um ótimo lugar para ambientar fantasias repletas de encantos, tormentos, monstros e mistérios.

Virgínia era uma garota sem sal. Normal como todas as outras, nem bonita nem feia, nem gostosa, com cabelo tingido de loiro como a maioria das gurias costuma fazer hoje. Mas, de repente, Virgínia se torna o centro de tudo para um homem. Um colega de trabalho que, sozinho e desnorteado com sua atitude, vê nela algo que o atrai surpreendentemente, e não consegue definir seus reais sentimentos por ela, muito menos descobrir quem ela realmente é. Noiva de um médico, a moça do nada dá suas investidas no colega que, sem saber o que fazer, aceita tudo o que ela lhe faz. Regado por música e remédios para curar um ferimento no pé, Virgínia Berlim – Uma Experiência, livro de Luiz Biajoni publicado pelo selo independente Os Viralata em 2007, narra uma história rápida, porém intensa.