Só porque as listas de bons livros lidos nos anos anteriores sumiram do blog – aquele problema lá que me obrigou a passar horas subindo todas as resenhas novamente -, e porque estou com vontade de fazer uma lista, aqui vai o meu top 16 de melhores leituras do ano. Queria que fosse um top 5, ou no máximo um top 10, mas revendo a lista de livros lidos de 2013 vi que seria impossível fazer uma seleção mais enxuta.

Foi um ano de bons livros, apesar de ter lido menos que o esperado por ter que me dedicar mais ao final do curso de jornalismo e usar boa parte do meu tempo de leitura para isso – aos curiosos, podem me considerar formada. Talvez se eu ainda estivesse no meu ritmo antigo de leitura essa lista fosse maior. Talvez. Mas estou satisfeita com o que li, e principalmente com o que conheci durante esse ano.

A procrastinação é o mal daquele que conhece o valor da internet e seu vasto conteúdo. Todos procrastinam o trabalho, a aula, os exercícios físicos e até a vida social, e uma grande incentivadora disso é a internet. Todos procuram por uma cura, mas não encontram porque ficaram tempo demais… procrastinando. Miranda July criou um sistema para burlar o gasto de tempo com coisas inúteis que adiam as tarefas importantes, um vídeo que volta e meia retorna às timelines do Twitter e Facebook pela genialidade de seu método – que é uma cena deletada de seu último filme, The future. Na verdade, por ser uma grande procrastinadora – ou seja, usuária da internet, smartphones e todas as suas possibilidades –, está sempre à procura de maneiras para evitar o adiamento das ações, e um deles foi tornar a procrastinação algo produtivo. O resultado disso foi o livro O escolhido foi você.

Enquanto escrevia o roteiro de The future, Miranda se viu em meio a uma crise de bloqueio criativo. Para tentar encontrar alguma inspiração ou apenas para fazer o tempo passar, começou a ler avidamente as edições do PennySaver, um classificado gratuito entregue em Los Angeles pelos correios todas as terças-feiras. O jornalzinho continha anúncios de tudo: gente querendo vender de eletrodomésticos a objetos inúteis, de animais a roupas. E foi aí que Miranda teve seu estalinho criativo que a levou a transformar essa leitura em algo útil: ligar para os anunciantes mais estranhos, marcar um encontro e entrevistá-los sobre as suas vidas.