Quando falamos de Jorge Luis Borges, lembramos principalmente do realismo fantástico e de suas contribuições para a literatura. Um dos autores latino-americanos mais conhecidos e aclamados é nome obrigatório em qualquer lista digna de leitura – e por isso mesmo já faz tempo que quis incluí-lo na minha. Mas além da produção literária, sabemos que o escritor, falecido em 1986, era um grande estudioso da literatura e línguas anglo-saxãs – aprendeu inglês com sua avó e daí vieram suas primeiras leituras. A literatura clássica, lendas e histórias vindas da Europa eram seu material de estudo, e é claro que seu trabalho como estudioso também está disponível para quem quiser ler. Como O livro dos seres imaginários, em que Borges enumera um grande número de criaturas mágicas que figuram nas mais variadas histórias contadas através dos tempos.

Escrito com a colaboração de Margarita Guerrero, esse compêndio reúne 116 criaturas – não necessariamente animais, como a palavra nos sugere – vindos tanto da literatura quanto de lendas, mitos e religiões. São seres estranhos criados pela mente fantasiosa do homem, e Borges pesquisa nas mais antigas fontes para tentar resgatar suas origens e diversas descrições. Organizados em verbetes breves, Borges usa as palavras de suas próprias fontes para, por vezes, descrevê-los. Assim, apresenta essas criaturas fantásticas através de C. S. Lewis, Franz Kafka, Edgar Allan Poe, resgata escritos de Shakespeare, Homero, Virgílio, conta-nos histórias de Confúcio e Plínio. O livro, então, não é apenas uma lista com descrições simples desses seres imaginários, mas uma reunião de grandes autores e histórias unidos por essas criaturas.