Se tem uma coisa que eu gostaria de fazer mais é reler os livros que eu gosto. Tem histórias que merecem receber nova atenção, entrar novamente nelas com um pouco mais de experiência e com uma visão diferente. Fora que, com as boas histórias que você já conhece, a chance de se divertir e se encantar com a leitura são grandes. É aquela coisa de reencontrar um amigo antigo que você gostava muito mas que, por algum motivo, não tinha mais muito contato. Nesse ano consegui, finalmente, reler A história secreta, de Donna Tartt. O engraçado é que só percebi que já tinha lido esse livro quando foi lançado no Brasil O pintassilgo, seu romance mais recente. Eu lembrava que, quando eu tinha 15 ou 16 anos, eu li uma história sobre um grupo de estudantes de grego e havia gostado muito dela. Acho que foi um dos primeiros livros mais “densos” que eu tinha lido na vida depois de Harry Potter. O problema é que eu não lembrava do título do livro e nem quem era a autora. E aí reencontrei Donna Tartt.

Faltam poucos dias para 2014 acabar (poderia colocar o número de dias aqui, mas sou tão ruim com números que poderia errar esse cálculo fácil, então vamos usar o “poucos dias” mesmo), e esse foi um ano bom profissionalmente, pessoalmente, mas fraquíssimo na minha intensidade de leitura – provavelmente por estar tão ocupada com as coisas fora dos livros, né – e também por usar o tempo no ônibus para dormir mais.

Mas vamos lá: foram 27 livros lidos ao todo (sim, só isso), e há ainda quatro em processo de leitura – Graça infinitaque está maravilhoso, O demônio do meio-dia, que interrompi justamente por causa do Graça, mas que também estava ótimo, A balada de Adam Henry, a atual leitura de ônibus (pois né, difícil carregar DFW por aí), e Oblómovque já vou até considerar aqui como “abandonado” porque sei que vou levar eras até pegar ele de novo – tiro da conta o Dom Quixote marcado como “lendo” no Goodreads porque li o primeiro volume no ano retrasado e falta só o segundo, hehe.

Theo Decker tem 13 anos quando sobrevive a um atentado terrorista em um museu de Nova York. Mas o trauma maior não é a explosão que presenciou em si, e sim a perda da mãe neste mesmo atentado. A mãe era encantadora e insubstituível para o garoto, que vivia há um ano sem o pai alcóolatra e cheio de dívidas que os abandonou. Theo nunca irá se recuperar dessa falta da mãe, e cada lembrança sobre seus últimos passos, os últimos lugares em que foram juntos, guarda uma porção de dor e saudade.

É óbvio dizer que a vida de Theo muda completamente depois dessa tragédia aleatória – por que, de tantos lugares em NY, eles estavam justamente lá, no meio da explosão? O que aconteceu nas galerias daquele museu define o que o garoto será na vida adulta. Na busca pela saída entre os escombros, Theo encontra o agonizante Welty, um senhor para quem ele faz companhia até o momento da morte e que lhe aponta um quadro na parede, justamente aquele que fez sua mãe adiar um compromisso para estar no museu: “O pintassilgo”, do mestre holandês Carel Fabritius. Theo, sem ter real consciência do que está fazendo, leva a pintura para fora do museu, e sua vida passa a estar diretamente relacionada a ela pelo resto de sua vida.