“Vivemos num país sem herois”, diz Santiago Nazarian no prefácio da antologia Alterego. Ele argumenta que nosso dia-a-dia deve ser muito absurdo para não precisarmos criar um ser com supe rpoderes que o difere das outras pessoas, para não querermos nos aventurar em uma fantasia. E apresenta os contos de jovens autores organizados por Octavio Cariello como o remédio para essa falta de “ação fantástica”. Publicado pela editora Terracota, Alterego não fala só de herois, mas também pessoas aparentemente normais que possuem outra identidade. Ou simplesmente fala de loucos.

“Vampiros me parece ser o clichê da década”, disse um leitor do r.izze.nhas. Ele está certo. Mas nesse momento, o clichê está mais ligado a personagens embebidos em leite condensado. Ou lantejoulas. Doce demais enjoa, sempre disse minha mãe, e o mesmo acontece com personagens com mel em demasia. Os vampiros que fazem sucesso hoje infelizmente são assim. É interessante ver uma abordagem diferente, mas preferimos que eles não fujam tanto daquilo que conhecemos.