À meia-noite de 15 de agosto de 1947, data em que a Índia oficializava sua independência e se tornava, enfim, uma república, milhares de crianças nasceram. Não exatamente a essa hora, mas ao longo dos primeiros 60 minutos da Índia como um país independente, essas crianças vieram ao mundo e foram chamadas de “filhos da meia-noite”. O fato de nascerem junto com seu próprio país poderia, por si só, ser especial. Mas como quase tudo na Índia é envolto por magia e fantasia – ou assim nos faz pensar suas lendas e histórias – elas vieram ao mundo com algo a mais. Com poderes que, mais tarde, seriam descobertos por outro filho da meia-noite.

Esse filho tem agora 31 anos, e enquanto cria fórmulas de condimentos em conserva e os deposita em potes numerados, cada um também com um título – como capítulos de um livro – conta sua história a uma mulher com o nome da deusa do excremento, Padma. Salim Sinai foi um dos dois meninos que nasceram exatamente à meia-noite desse 15 de agosto, e foi ele também quem reuniu todos os outros filhos e os fez se descobrirem telepaticamente. Com um nariz de tamanho descomunal e certa aptidão para o fracasso, o rico garoto muçulmano residente em uma “colina de dois andares” na capital Bombaim relembra, para Padma, toda a sua trajetória, a de sua família e a de seu país.