Primeiro romance publicado de David Foster Wallace, The Broom of the System foi lançado em 1987. Ele já contém muito do jeito DFW de narrar, essa coisa meio absurda e extremamente contemplativa – mas sem notas de rodapé. Quando comecei a ler, Caetano Galindo, tradutor de Graça infinita, sugeriu que eu desse uma olhada no artigo sobre Wittgenstein na Wikipedia, pois ajudaria a entender o livro. Li. Entendi nada.

The bell jar é um daqueles livros que de certa forma acompanham sua vida de leitor por um bom tempo, habitando as listas de “quero ler” durante anos e anos, até que você finalmente decide ir atrás e ver com os próprios olhos o que ele tem a oferecer. Acontece comigo, muitas vezes, de esperar o livro cair de paraquedas nas minhas mãos para finalmente iniciar a leitura, e foi assim com o único romance publicado por Sylvia Plath. Poeta de talento com diversas outras publicações, esse romance acaba pesando tanto para o leitor de Plath quanto seus poemas por trazer um caráter autobiográfico e, talvez, ser utilizado muitas vezes para entender a sua morte prematura – Sylvia Plath se matou em 1963, poucos meses após The bell jar ter sido publicado em Londres, quando separada do poeta Ted Hughes e com dois filhos pequenos.

O romance é narrado pela jovem Esther Greenwood e inicia em Nova York, onde está trabalhando por um mês em uma revista feminina junto com outras garotas selecionadas em um concurso. Uma realidade bem diferente daquela em que cresceu com seu irmão mais novo, nas imediações de Boston, onde as coisas não eram tão luxuosas e dadas de mãos beijadas, como acontece com as meninas da revista. Presentes, jantares caros e com pessoas ilustres, festas, compras, rituais de beleza… É como se todas aquelas garotas vivessem um dia de princesa por um mês, com o adendo de que estariam ainda trabalhando para a revista – cobrindo estreias, desfiles, peças e o que mais a vida cultural e deslumbrante de NY tinha a oferecer.