Assassinatos estão sempre envoltos em uma aura atraente de mistério. O detetive, a pessoa designada a resolver casos estranhos que desafiam a mente, é tão atraente e sedutor quanto o próprio crime. A figura do detetive decadente, mas esperto, e esses casos mirabolantes estão presentes no livro Ficção de Polpa – Crime!, quarto volume da série de literatura de gênero1que já abordou horror e fantasia, organizados por Samir Machado de Machado e lançado hoje pela Não Editora. De Sherlock Holmes à reality shows futuristas, os autores que fazem parte dessa nova edição trazem de volta todo o glamour das investigações que tanto adoramos nas histórias policiais e casos narrados com o mistério e ação na dose exata.

A parte gráfica do livro já é um atrativo à parte. Inspirado nas revistas pulp dos anos 1930 e 1950, como explica o próprio Samir em seu blog, a capa remete às tradicionais histórias de investigações policiais. Mas essa impressão não está apenas do lado de fora: dentro o livro também atrai, com os textos diagramados em duas colunas, todos ilustrados e até com anúncios antigos, parecendo realmente uma daquelas famosas revistas. Anúncios esses que se encaixam em cada um dos 6 contos da edição – mais a faixa bônus -, que não se passam necessariamente em tempos passados.


Diz-se que a melhor hora para cometer um crime é à noite. Nesse momento, o criminoso conta com a proteção das sombras e com a quietude das ruas. Ninguém sai de casa no escuro, pois sabe justamente que estará mais apto a ser vítima. Mas há crimes audaciosos, onde não importa se é dia ou noite, e organizados por grupos tão confiantes que sabem que ninguém será culpado por ele. Grupos como a máfia italiana, que monta uma rede de relações e influências que invalida a investigação mais minuciosa. Caso assim é retratado em O Dia da Coruja, um dos clásicos de Leonardo Sciascia que está sendo republicado no Brasil.

O romance policial de Tailor Diniz não fica apenas no mistério. Em poucas, mas boas páginas, o escritor gaúcho mistura humor e crítica em narrativas que encantam por retratar de forma tão natural o cotidiano do Rio Grande do Sul. Assim como em Um Terrorista no Pampa, o leitor que já vivenciou a vida calma do interior se identificou totalmente com a pequena cidade de Passo da Barca. Agora, porto-alegrenses e pessoas que passam os dias na capital gaúcha também vão se ver na literatura em Crime na Feira do Livro, recém lançado pela editora Dublinense.