Vou começar dizendo o óbvio: é difícil, extremamente difícil, falar sobre um livro de que se gostou muito. A impressão (talvez acertada) é de que é muito mais fácil elencar os motivos para não se ter admirado uma obra: o ser humano é extremamente crítico e facilmente enxerga aquilo que não lhe agrada – e, ao mesmo tempo, é polido demais para sair por aí apontando para tudo aquilo de que não gosta. Quando o livro me conquista, não resta muito a dizer além de: amei. “Amar” algo já engloba toda uma gama de preferências e sentimentos que não precisa ser muito explicada – até porque o amor nem sempre faz sentido. Mas há a obrigação, depois de anos falando sobre livros, de tentar apontar o motivo desse “amor”. O problema é que nenhum desses pontos parece ser justo com a obra, a ponto de resumir com exatidão o que torna algum livro digno desse amor.