Empregar um olhar inusitado sobre um determinado fato é o que todo jornalista sonha ao redigir uma matéria ou reportagem. Em anos de profissão, e com uma concorrência grande com outros jornalistas, articulistas e escritores, o maior pecado é cair no clichê, ou parecer pouco interessante. Não é fácil ter a “sacadinha genial” que vai fazer crescer a curiosidade do leitor logo no primeiro parágrafo e impulsioná-lo a ler o resto do texto. É por causa dessas abordagens pouco usuais que acabo lendo reportagens sobre um cuidador de cobras, um presidente de um país qualquer, a vida de pessoas de uma comunidade no meio do nada ou como funciona um banheiro químico. Não basta saber apurar ou escrever, tem que saber como tornar um fato realmente interessante, por mais que ele já seja, e dar a ele uma leitura nova.

Ler Pulphead: O outro lado da América foi ter uma aulinha de como escrever de um jeito fora do comum. John Jeremiah Sullivan já é considerado um dos principais ensaístas em atividade nos Estados Unidos, sendo comparado à Tom Wolfe e David Foster Wallace, como a quarta-capa da edição da Companhia das Letras afirma. A apresentação escrita pelo crítico James Wood também só aumentou a curiosidade de lê-lo – que havia surgido através de recomendações e pela participação de Sullivan na Flip de 2013. No primeiro ensaio deste volume, pude comprovar essa característica que me fez gostar do autor.