Se um diretor consegue condensar 700 páginas de um livro em duas horas de filme, então um escritor pode transformar duas horas de filme, ou uma carreira inteira de um diretor, em 10 páginas de um conto – ou mais, ou até menos. E dezessete escritores, cada um com seu diretor preferido, reúnem esses contos em 24 letras por segundo, último lançamento da Não Editora. Organizada pelo não-editor Rodrigo Rosp, que encarna Woody Allen no conto “Todos os homens dizem eu te amo”, a proposta da antologia é homenagear grandes diretores do cinema baseando-se em suas obras, trazendo para a literatura as principais referências de seus filmes.

Se os textos estão carregados de pedaços da história do cinema, com o livro em si isso não poderia ser diferente. O que o destaca, além da proposta, é a capa de Samir Machado de Machado também autor de um dos contos, inspirado em Steven Spielberg – e o projeto gráfico de Guilherme Smee, que fazem do livro uma capa de VHS vinda direto dos anos 1980. Antes de começar a leitura, é bom gastar bons minutos para olhar todos os detalhes do exemplar, cada referência colocada na contracapa, na folha de rosto, nas imagens que abrem os contos. 24 letras por segundo é o tipo de livro que torna insossa a leitura em um e-reader por conta de sua qualidade gráfica, coisa que nenhum leitor digital conseguiria imitar. 

Assassinatos estão sempre envoltos em uma aura atraente de mistério. O detetive, a pessoa designada a resolver casos estranhos que desafiam a mente, é tão atraente e sedutor quanto o próprio crime. A figura do detetive decadente, mas esperto, e esses casos mirabolantes estão presentes no livro Ficção de Polpa – Crime!, quarto volume da série de literatura de gênero1que já abordou horror e fantasia, organizados por Samir Machado de Machado e lançado hoje pela Não Editora. De Sherlock Holmes à reality shows futuristas, os autores que fazem parte dessa nova edição trazem de volta todo o glamour das investigações que tanto adoramos nas histórias policiais e casos narrados com o mistério e ação na dose exata.

A parte gráfica do livro já é um atrativo à parte. Inspirado nas revistas pulp dos anos 1930 e 1950, como explica o próprio Samir em seu blog, a capa remete às tradicionais histórias de investigações policiais. Mas essa impressão não está apenas do lado de fora: dentro o livro também atrai, com os textos diagramados em duas colunas, todos ilustrados e até com anúncios antigos, parecendo realmente uma daquelas famosas revistas. Anúncios esses que se encaixam em cada um dos 6 contos da edição – mais a faixa bônus -, que não se passam necessariamente em tempos passados.

Religião e paixão se cruzam e causam um embate na vida de um adolescente. Fiel aos ensinamentos judaicos, Daniel descobre, aos 13 anos, o que era o sentimento que tinha por Pedro, seu melhor amigo. Os olhares carinhosos depositados sobre ele iam além da admiração pelo jovem: caracterizavam o mais puro amor e desejo de compartilhar com Pedrotoda sua vida. A história de Daniel é contada porRafael Bán Jacobsen no livro Uma Leve Simetria, publicado pela Não Editora. Um relato que guarda uma beleza única e tristeza que ultrapassa as páginas e ligam-se ao próprio leitor.