Para celebrar a ficção científica e, ao mesmo tempo, divulgar novos escritores, foi criado o Projeto Portal. Trata-se de uma revista distribuída gratuitamente entre ávidos leitores amantes do gênero sci-fi dividida em seis volumes semestrais que homenageiam grandes escritores e obras. A última edição organizada por Nelson de Oliveira foi a Portal 2001, referindo-se, claro, a 2001 – Uma Odisséia no Espaço. Entre passado e futuro, monstros e humanos, vemos diversas abordagens da ficção científica que juntas podem compor uma bela viagem pelo espaço.

Para quem já leu os divertidos romances policiais de Tailor Diniz, entrar em contato com os sete contos de Transversais do Tempo vai ser motivo de estranhamento. A narração leve e descontraída do autor gaúcho dá lugar à textos densos com uma carga extra de tragédia. Em 2007, recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura de melhor livro de contos e também foi premiado pela Associação Gaúcha de Escritores. E não é por menos. Apesar da grande diferença entres seus romances, Transversais do Tempo, em edição da Bertrand Brasil, merece igualmente ser lido.

Soluço Spantosicus Strondus III é um grande herói viking, realizador de grandes feitos e uma autoridade quando o assunto são dragões. Só que ele nem sempre foi assim. Antes disso, Soluço não passava de um rapaz mirrado, meio covarde e com uma pitada de nerd. Entre os 10 e 13 anos de idade, ele e seus amigos da tribo Hooligans Cabeludos e Cabeças-ocas estão se preparando para a prova final que os tornarão heróis. Entre as tarefas que devem realizar, esta a de capturar um dragão filhote e treiná-lo. Porém, eles são criaturas difíceis de lidar, e o medo de Soluço em enfrentar desafios o faz ficar ainda mais inseguro quanto seu futuro. Porque aqueles que não conseguirem realizar tal façanha são exilados das tribos.

No ano de 1911 a França viveu dias de assombro: sua mais valiosa obra de arte havia sumido. A italiana Mona Lisa, que até então “morava” no museu do Louvre, foi levada debaixo dos olhos de todos. Durante dois anos ela ficou assim, desaparecida, e não havia pista alguma que levasse até ela. Os detalhes desse maior roubo de arte da história estão em Roubaram a Mona Lisa!, um relato envolvente de R. A. Scotti.

Há seis mil anos, mais precisamente no dia 21 de outubro, Deus criou o mundo. Fez os animais, as plantas, céu, oceanos, essas coisas todas. Fez um paraíso e nele pôs um homem. Depois uma mulher. Para guardar os portões do Éden, escalou um anjo com uma espada flamejante. Mas isso não impediu que um outro anjo rastejasse do céu até a Terra. Então ele se transformou em um demônio. Ou melhor, numa cobra. A partir daí, anjo e demônio, ou Aziraphale e Crowley, conviveram até o fim dos tempos. Eram inimigos tão próximos que poderiam ser considerados amigos.

Se minha última resenha era sobre contos trágicos, porém cômicos, o livro do qual falo agora é parecido em apenas um aspecto: continua trágico, mas nada engraçado. Raiva nos Raios de Sol, segundo livro de contos de Fernando Mantelli, é violento, cruel e agonizante. Também publicado pela Não Editora, a obra acabou de receber o Prêmio Açorianos de Literatura 2009 de Melhor Capa.

O mundo literário teve a chance de apreciar mais uma obra daquele que chocou ao narrar em um livro um caso de pedofilia. Lolita fez do russo Vladimir Nabokov um dos maiores autores do século XX, surpreendendo não só pelo seu enredo perturbador, mas pela maestria com a qual ele o montou. Os agradecimentos vão para Véra, sua esposa, que o impediu de queimar Lolita. Agora outra obra foge do destino que o autor lhe concedeu, e desobedecendo às ordens dadas por seu pai, Dmitri Nabokov publica seu último romance, O original de Laura. Atrás de dinheiro ou não, Dmitri fez bem, ressaltando que uma história merece ser lida mesmo sem estar pronta.