Histórias sobre suicidas têm um certo apelo para mim. Houve uma época, anos atrás, que eu estava numa fase de ler só sobre suicídios: As virgens suicidas, do Jeffrey Eugenides; Norwegian Wood, do Haruki Murakami; Suicídios exemplares, do Enrique Villa-Matas. O que talvez diga muito sobre o meu psicológico daqueles dias. Sempre fui voltando para essas histórias, mas com parcimônia. A desse ano foi O amigo, de Sigrid Nunez (Editora Instante, tradução de Carla Fortino), vencedor do National Book Award de 2018.  

Berta Isla e Tomás Nevinson se conhecem desde a adolescência. Cresceram em Madrid, mas Nevinson tem dupla nacionalidade – a mãe é madrilenha, o pai é inglês. Por isso mesmo, após o colegial, ele parte para Oxford, onde chamu a atenção de um professor que havia trabalhado para o MI6 durante a Segunda Guerra Mundial. Nos últimos anos da ditadura de Franco, Nevinson se vê recrutado – praticamente obrigado – a trabalhar como agente secreto.

Computadores certamente nos ajudaram muito a melhorar. Facilita o trabalho, os processos, deixa tudo mais rápido e menos complicado. Mas eles por si só são complicados, e nossa falta de conhecimento sobre o funcionamento das máquinas pode nos deixar à mercê delas. Conhecê-las e entende-las é o aviso que James Bridle nos deixa em A nova idade das trevas (Todavia, tradução de Érico Assis), um alerta sobre a obscuridade nos tempos da informação.

“Faltava pouco para as oito da manhã quando o conselheiro titular Yákov Pietróvitch Golyádkin despertou de um longo sono, bocejou, espreguiçou-se e por fim abriu inteiramente os olhos. Aliás, ficou uns dois minutos deitado em sua cama, imóvel, como alguém que ainda não sabe direito se acordou ou continua dormindo, se tudo o que está acontecendo é de fato real ou uma continuação de seus desordenados devaneios.”

Após trinta anos de casamento, Boris deixa Mia. Segundo Boris não é um fim definitivo, é apenas uma pausa. Uma pausa, Mia sabe, que tem nome, sobrenome, emprego e idade: uma colega de laboratório do marido vinte anos mais nova do que ela. Poeta e professora, Mia tem um background bem diferente de Boris, um conhecido neurocientista, mas isso nunca foi um problema no casamento que lhe deu uma filha. E a injustiça dessa troca, a impossibilidade da vida sem o marido, leva Mia a um estado catatônico, uma dor que ela nunca pensou que poderia ter.  

Rachel Chu, professora de economia, namora há dois anos Nick Young, professor de história. Ela nasceu na China e se mudou quando criança para os EUA, ele nasceu e cresceu em Cingapura, e ambos não gostavam da ideia de serem apresentados a possíveis pretendentes só porque eram asiáticos. Contudo, indo contra essa própria regra pessoal, os dois estão completamente apaixonados, e Nick convidou a namorada para acompanhá-lo no casamento de seu melhor amigo em sua terra natal. Só tem um pequeno detalhe sobre sua vida que ele nunca contou a Rachel: a sua família é podre de rica, umas das mais endinheiradas de Cingapura –um lugar que abriga muitos endinheirados.

Nos anos 1940, Anna Kerrigan é uma jovem de 21 anos que trabalha no Arsenal da Marinha, na zona portuária de Nova York. Em plena Segunda Guerra Mundial, a escassez de homens – pois muitos foram enviados para a batalha – leva as fábricas a contratarem cada vez mais mulheres. Anna é uma dessas jovens que se alistam para ajudar, para sentir que estão fazendo a sua parte na luta, mas os dias em que passa medindo peças minúsculas que farão parte de um navio da marinha são tediosos demais. Após observar um mergulhador sendo içado da água ela decide que vai se tornar uma mergulhadora.  

Primeiro romance publicado de David Foster Wallace, The Broom of the System foi lançado em 1987. Ele já contém muito do jeito DFW de narrar, essa coisa meio absurda e extremamente contemplativa – mas sem notas de rodapé. Quando comecei a ler, Caetano Galindo, tradutor de Graça infinita, sugeriu que eu desse uma olhada no artigo sobre Wittgenstein na Wikipedia, pois ajudaria a entender o livro. Li. Entendi nada.