Rachel Chu, professora de economia, namora há dois anos Nick Young, professor de história. Ela nasceu na China e se mudou quando criança para os EUA, ele nasceu e cresceu em Cingapura, e ambos não gostavam da ideia de serem apresentados a possíveis pretendentes só porque eram asiáticos. Contudo, indo contra essa própria regra pessoal, os dois estão completamente apaixonados, e Nick convidou a namorada para acompanhá-lo no casamento de seu melhor amigo em sua terra natal. Só tem um pequeno detalhe sobre sua vida que ele nunca contou a Rachel: a sua família é podre de rica, umas das mais endinheiradas de Cingapura –um lugar que abriga muitos endinheirados.

Nos anos 1940, Anna Kerrigan é uma jovem de 21 anos que trabalha no Arsenal da Marinha, na zona portuária de Nova York. Em plena Segunda Guerra Mundial, a escassez de homens – pois muitos foram enviados para a batalha – leva as fábricas a contratarem cada vez mais mulheres. Anna é uma dessas jovens que se alistam para ajudar, para sentir que estão fazendo a sua parte na luta, mas os dias em que passa medindo peças minúsculas que farão parte de um navio da marinha são tediosos demais. Após observar um mergulhador sendo içado da água ela decide que vai se tornar uma mergulhadora.  

Primeiro romance publicado de David Foster Wallace, The Broom of the System foi lançado em 1987. Ele já contém muito do jeito DFW de narrar, essa coisa meio absurda e extremamente contemplativa – mas sem notas de rodapé. Quando comecei a ler, Caetano Galindo, tradutor de Graça infinita, sugeriu que eu desse uma olhada no artigo sobre Wittgenstein na Wikipedia, pois ajudaria a entender o livro. Li. Entendi nada.

Charlie Gordon tem trinta e poucos anos. Desde os 17 trabalha na mesma padaria varrendo o chão e fazendo entregas. O emprego de Charlie é uma promessa que o dono da padaria fez ao seu tio: que Charlie sempre tivesse um lugar onde trabalhar, ganhar um dinheiro e se manter. Há anos ele não tem contato com seus pais e sua irmã mais nova. Foi praticamente abandonado por eles. Charlie tem um Q.I de 70. É como se tivesse uma mente de criança. Ele não consegue aprender coisas simples, mas seu sonho é saber ler e escrever. Ser inteligente. E ele está prestes a se envolver em uma experiência que vai ajudá-lo nisso.

Às vezes personagens extraordinários se perdem na história. Muita gente já passou por esse mundo, poucas foram responsáveis por feitos notáveis, mas mesmo assim é um número considerável de gente que merece ser lembrada pelo que viveu, pelas dificuldades que enfrentou. Pena que esquecemos fácil. Nossa memória é incrível, mas não é das melhores. Seja por silenciamento premeditado ou pela passagem do tempo, nós esquecemos.

Duas meninas se conhecem nas aulinhas de dança do bairro. Duas meninas pardas, filhas de pais brancos e negros. Uma delas, Tracey, demonstra um talento singular logo de início. A mãe, branca e espalhafatosa, mima a garota com o que ela quer, e Tracey tem uma liberdade que nenhuma outra criança do bairro tem. O pai, negro, está preso – mas para a pequena Tracey ele está em turnê com Michael Jackson. A outra menina, que vem a ser a narradora de Swing Time, romance mais recente de Zadie Smith, não tem o mesmo talento, mas é apaixonada por musicais – com todas as suas canções e danças. Sua mãe, descendente de jamaicanos, é uma dona de casa mergulhada em leituras que tenta passar à filha um senso de identidade. O pai, branco, trabalha nos correios e, apesar de apaixonado pela esposa, sente que é deixado de lado pelo seu autodidatismo. Tracey e a narradora são duas crianças com muito em comum, mas também guardam diferenças gigantescas.

as-virgens-suicidasQuando Cecilia cortou seus pulsos e se deixou esvair em sangue dentro da banheira da família Lisbon, a preocupação pelo bem-estar das meninas tornou-se fato de curiosidade de todos os moradores daquela rua de classe-média. A tentativa de suicídio aos 13 anos de idade confirmou que havia algo de errado com a caçula dos Lisbon. Para tentar recuperá-la, seus pais afrouxaram as regras da casa para ela e suas irmãs Lux, Bonnie, Mary e Therese – de 14, 15, 16 e 17 anos. Porém, a determinação de Cecilia era mesmo tirar a própria vida, e durante uma festa das irmãs para os seus vizinhos e colegas, a garota atinge seu objetivo ao se jogar da janela de seu quarto e cair em cima da cerca pontiaguda que rodeava a casa. Em um ano, todas as suas irmãs procurariam semelhante destino.

Quem narra a trágica história das garotas Lisbon em As virgens suicidas são seus próprios vizinhos, encantados pela beleza das meninas e também pela distância que guardam dela, o que as tornam praticamente intocáveis, alcançadas apenas em sonho. O livro de Jeffrey Eugenides é uma de suas obras mais aclamadas, e foi adaptado para as telas do cinema pela diretora Sofia Coppola. Os garotos contam, já adultos, tudo o que aquela rua vivenciou no ano após a morte de Cecilia, registrando minuciosamente a decadência da casa dos Lisbon e da sanidade de todos os seus moradores – não temos certeza se é apenas uma voz ou são relatos de todos que compõem a narrativa. Através de documentos, entrevistas e objetos que resgataram do lugar e guardam anos depois, tentam, de todas as maneiras, entender o que levou aquelas cinco garotas a preferirem deixar de viver em plena juventude.

YAY, aniversário! Hoje o r.izze.nhas comemora dois anos de atividade. Dois anos postando resenhas todas as semanas, praticamente sem folga, comentando cada livro que li – okay, alguns ficaram de fora. Mas enfim, dois anos escrevendo para quem estiver disposto a ler o que eu pensei sobre os livros que li desde 2009. Desculpa pela falta de comemoração melhor, simplesmente não consegui parar e pensar em algum presente para o leitor, até porque cada visita que o blog recebe, cada comentário, é um presente pra mim. Assim, queria retribuir, mas infelizmente não consegui fazer isso agora. Desculpa mesmo.

Mas se serve como consolo (NÃO!), esse blog, asssim como os outros sites para os quais colaboro – Meia Palavra e Amálgama – é uma das poucas coisas que eu realmente gosto de fazer. Não me importo nem um pouco de me enfurnar em casa no fim de semana para terminar um livro ou texto. Nem de ficar acordada até tarde para adiantar a leitura. É uma atividade que vem me dando muito prazer, realmente. Foi assim que, durante esses dois anos, foram publicados 257 posts, a maioria resenhas, que tiveram 1050 comentários. É bastante coisa, e é muito legal.

Chorar não está entre as reações que mais gosto de ter. Ironicamente, as minhas histórias preferidas são as que causaram esse efeito. Seja por alegria ou tristeza, um livro faz chorar quando o autor consegue colocar toda a emoção que sua história contém nas páginas. E surge uma obra inesquecível. Só Garotos, da roqueira Patti Smith, acabou de entrar para essa lista pessoal de bons livros. Vencedor do Prêmio Nacional do Livro dos EUA no ano passado, essa biografia lançada no fim do ano no Brasil pela Companhia das Letras transborda emoções em cada página. Um retrato de uma época cultuada pela arte que gerou, com duas vidas que respiraram poemas, músicas, pinturas e fotografia.

Patti Smith começou desenhista, virou poeta e assim foi por um grande tempo até ceder à ideia de ser cantora. Já na infância mostrava que tinha um futuro ligado à arte, ao devorar livros e criar histórias para seus irmãos mais novos, deslumbrada com o que conhecia através dessas invenções. Sua vida sempre seria dedicada à criação. Mas Só Garotos não conta apenas a vida de Patti. Na verdade, o livro não existiria sem Robert Mapplethorpe: fotógrafo que participou ativamente da vida da cantora, tanto na profissional e principalmente na pessoal.