Entre textos curtos com histórias de duração breve, porém não simples, Saul Melo preenche o livro Entre Sombras, um dos últimos lançamentos da gaúcha Dublinense. Como o título sugere, as tramas criadas pelo autor acontecem entre momentos sombrios, narrados por personagens ocultos em grande parte, falando não justamente de um momento específico de suas vidas, mas principalmente filosofando sobre elas. Saul Melo cria histórias que, não importa o contexto, sempre estarão submetidas à melancolia.

Mentira é uma daquelas coisas que ninguém gosta, mas são fundamentais. É o mecanismo que usamos para elogiar o cabelo horrível da chefe e evitar mau-humor dela, por exemplo. Mentiras, dizem, são praticamente a base para a convivência social. São coisas necessárias. É o que o jovem John Egan percebe em O Menino que Odiava Mentira, da inglesa M. J. Hyland, publicado aqui pela Companhia das Letras. Sim, John é esse menino, e o fato de ele odiar mentiras vem justamente do que elas causam à ele: mal estar.

Planejando o livro para ser um romance, Linguagem de Sinais, de Luiz Schwarcz – mais conhecido como editor e dono da Companhia das Letras –, teve que adequar sua trama depois da recusa de seus próprios colegas editores. A solução foi transformar os capítulos em contos, e eis que seu segundo livro (sem contar o infantil) é lançado agora pela sua editora. Mas seu livro não parece ser uma antologia. Ele fica em um meio termo entre conto e romance, onde personagens se repetem e vivem histórias em certa ordem cronológica.

Pequena Abelha é um livro que tem de ser mantido praticamente em segredo até você tê-lo em mãos. Saber o que ele contém pode estragar a sua experiência de leitura. O máximo que pode ser dito sobre o livro de Chris Cleave, lançamento da editora Intrínseca, é que ele fala sobre duas mulheres. Uma é Sarah, inglesa e editora de uma revista feminina. A outra é Pequena Abelha, nigeriana. Em algum momento das suas vidas essas mulheres tão diferentes se encontram. Nesse momento uma delas deve fazer escolhas que mudam a vida de ambas. Em outro momento, elas voltam a se encontrar. Só isso.

Em 1888, na noite de 7 de novembro, Jack, O Estripador, fez sua última vítima: Marie Kelly, prostituta, assim como todas as outras mulheres que matou. Mas esse assassinato não tirou apenas uma vida. Ele acendeu a vontade de acabar com outra, a do jovem Andrew Harrington, amante de Marie Kelly. Inconformado com a morte de sua amada, oito anos depois o jovem rico de Londres decide tirar sua própria vida. Porém, seu primo e melhor amigo, Charles Winslow, o convence a desistir do suicídio apresentando-lhe uma maneira de salvar Marie Kelly: viajar no tempo e matar o serial killer.

O ato de contar para uma pessoa o que acontece em uma história é um dos mais rechaçados pelos amantes de livros, filmes e séries. O tal spoiler, quando invade uma conversa, pode destruir amizades. O sentimento que ronda o ambiente, depois cometida tal gafe, é a indignação. Exagero? Eu acho, em certos momentos. Não me importo em saber o final de uma história. Às vezes, saber como termina um livro me deixa mais interessada ainda em lê-lo. Afinal, na maioria dos casos, não é o último ato que consagra o livro. É o desenvolvimento da trama. Mas concordo com aqueles que exigem respeito quanto a querer ou não ouvir antecipadamente desfechos das histórias.

O que leva uma pessoa a cometer um crime? Pobreza, situação social, vontade, superioridade, ganância? E qual é a conseqüência desse crime? Podemos listar diversos casos onde o criminoso era um psicótico que não conseguia parar de matar ou um pai de família, tentando conseguir comida para os filhos. E as conseqüências podem ser prisão, morte, ou até liberdade sem nenhuma suspeita. Dependendo do caso, tudo ou nada pode acontecer. A reflexão sobre o que leva alguém a cometer um crime e o que acontece com essa pessoa é o que Fiodor Dostoiévski faz em um de seus mais famosos romances, Crime e Castigo.

Em 2006, a ambientalista Joan Root foi assassinada com vários tiros de AK-47, dentro de sua casa à beira do lago Naivasha, no Quênia. A polícia, inicialmente, disse se tratar de uma tentativa de assalto. Porém, os indícios dizem o contrário. Muitos podem nem saber quem é Joan Root e o que ela fez pela África, mas terão conhecimento disso a partir de Na África Selvagem, a história da ambientalista contada pelo jornalista Mark Seal.

Algumas séries rendem mais do que os livros que as compõe. Crepúsculo, que ainda não teve todas as edições publicadas, veio com o extra A Breve Segunda Vida de Bree Tanner. Harry Potter, além dos 7 livros da saga, apareceu com Animais Mágicos e Onde Habitam, Contos de Beedle, o Bardo e Quadribol Através do Séculos. Isso falando apenas do que seus próprios autores fizeram, porque há muitos outros títulos de gente pegando carona no sucesso dessas séries. Com o lançamento do último livro de Percy Jackson & os Olimpianos, de Rick Riordan, também veio o seu bônus: Os Arquivos do Semideus.

O término de uma saga sempre tem uma aura triste. Mesmo sem ter acompanhado o lançamento de cada nova história, a última vem com aquele gosto de despedida. Com Percy Jackson & os Olimpianos, de Rick Riordan, não poderia ser diferente. Prometendo 5 livros para a série que coloca nos tempos atuais a mitologia grega, chegou no início de agosto O Último Olimpiano, pela editora Intrínseca, volume final da história do semideus filho de Poseidon. Nesse livro, Percy conhecerá inteiramente seu verdadeiro destino, e lutará para salvar o Olimpo.