Chorar não está entre as reações que mais gosto de ter. Ironicamente, as minhas histórias preferidas são as que causaram esse efeito. Seja por alegria ou tristeza, um livro faz chorar quando o autor consegue colocar toda a emoção que sua história contém nas páginas. E surge uma obra inesquecível. Só Garotos, da roqueira Patti Smith, acabou de entrar para essa lista pessoal de bons livros. Vencedor do Prêmio Nacional do Livro dos EUA no ano passado, essa biografia lançada no fim do ano no Brasil pela Companhia das Letras transborda emoções em cada página. Um retrato de uma época cultuada pela arte que gerou, com duas vidas que respiraram poemas, músicas, pinturas e fotografia.

Patti Smith começou desenhista, virou poeta e assim foi por um grande tempo até ceder à ideia de ser cantora. Já na infância mostrava que tinha um futuro ligado à arte, ao devorar livros e criar histórias para seus irmãos mais novos, deslumbrada com o que conhecia através dessas invenções. Sua vida sempre seria dedicada à criação. Mas Só Garotos não conta apenas a vida de Patti. Na verdade, o livro não existiria sem Robert Mapplethorpe: fotógrafo que participou ativamente da vida da cantora, tanto na profissional e principalmente na pessoal.