Estou sentindo cheiro de ceia de Natal, de amigo secreto da família, de tios bêbados e de melancolia de fim de ano. Significa que é hora da: LISTA DE MELHORES LEITURAS DO ANO!

O ano ainda não acabou, eu sei, mas posso declarar que já tenho a lista de livros mais legais de 2017 – se bem que achei o mesmo no ano passado e tive que adicionar um livro extra depois de ter postado a lista. Mas como o ritmo de leitura anda lendo e tudo o mais, acho que já posso encerrar o expediente de 2017 (que foi bem preguiçoso, desculpa).

 

“Toda história de amor é uma história de sofrimento em potencial”, diz Julian Barnes em vários momentos de Altos voos e quedas livres (tradução de Léa Viveiros de Castro). As 128 páginas desse livro enganam, assim como o início, Pode parecer uma história leve sobre balonismo, as primeiras pessoas que se aventuraram pelo ar, os pioneiros que pensaram em unir balão com câmera fotográfica e mostrar para quem nunca esteve lá em cima como é ver a cidade de tão alto. Mas Altos voos e quedas livres é um livro sobre amor e perda – amor que nos leva tão para o alto; perda que nos derruba sem aviso.

Sibylla foi ainda jovem para a Inglaterra. Inventou suas próprias habilidades para conseguir estudar em outro continente, não que ela não soubesse de nada, apenas porque não precisava que nenhuma autoridade atestasse o que ela sabe. Sibylla é uma jovem peculiar de uma família peculiar. Filha de uma mulher com talento para música, mas não talento suficiente para viver dela e se tornar a pianista que sonhava – assim como aconteceu com todos os seus tios. O pai, ateu, se desviou de um futuro brilhante nas ciências exatas para satisfazer a vontade de seu pai, um pastor, de pelo menos dar uma chance à religião. Duas pessoas que foram levadas a não fazer aquilo que queriam e nunca mais conseguiram voltar, que construíram juntos uma rede de motéis e cuja vida se resumia a isso – encontrar o próximo lugar à beira da estrada que poderia abrigar mais um empreendimento de sucesso. Sibylla quis sair dessa vida, e conseguiu.

a-pagina-assombrada-por-fantasmasQuando fui ao lançamento do livro A página assombrada por fantasmas, na metade do ano passado, já estava pensando em não resenhar seus contos. Estaria seguindo uma regra do próprio Antônio Xerxenesky publicada no blog do Michel Laub: não resenhar livro de amigos. Não que sejamos lá muito amigos, mas conhecidos sim, com certeza, e levando em conta meu medo/receio/vergonha de saber que um autor leu uma resenha minha, preferi ficar no silêncio mesmo quanto a qualquer crítica. Apenas ler, dizer que gostei – já com a certeza que iria gostar, veja bem – e nada além disso. Pois bem, demorei mais de seis meses para ler o livro, não sei dizer por que. Mesmo com o “polvo leitor” tão elegante desenhado na folha de rosto, fui adiando a leitura até que, em uma viagem para Santa Catarina, dentro do ônibus, resolvi finalmente encarar esses contos. E que arrependimento foi essa demora.

Vamos começar então falando de literatura. A página assombrada por fantasmas é um livro que fala sobre ela. Mas não com pedantismo, daquela maneira que coloca a leitura no mais alto patamar das atividades que um ser humano pode querer usufruir – e Shakespeare o autor mais nobre que poderemos ler. A literatura é abordada, até, de maneira mais cômica, como uma forma de brincar com nossos autores e obras mais estimados. Tchau glamour das letras, olá personagens meio perturbadas, meio engraçadas, às voltas com os livros. Como o leitor/fã nervoso ao ir entrevistar seu autor favorito na capital da Argentina, imaginando diferentes situações – e recusas do entrevistado – antes mesmo de botar os pés nos corredores de seu apartamento. E também Charles Makuviac, “Brasileiro, apesar do nome. Um escritor contemporâneo de grande repercussão mundial, apesar de brasileiro”, frente a uma síntese de sua obra que marca seu futuro na literatura.

Não tem como escapar das retrospectivas quando o fim do ano se aproxima. Reavaliamos tudo o que fizemos durante o ano, lembramos das conquistas e eventuais derrotas, atribuímos notas e qualidades pelos 12 últimos meses que vivemos. Como leitora, não poderia deixar de rever tudo o que li em 2010 e fazer aquela listinha dos melhores. Foram muitos livros lidos (mais de 80), um recorde não planejado, e muitas coisas novas entraram para a lista.  Por isso, resolvi colocar aqui os cinco livros que li e mais gostei esse ano.

Folga de vampiros? Bem queria eu. São vários os livros que estou lendo essa semana, outros até terminados no fim da semana passada, mas não comentados aqui. Mas o principal é O Livro do Cemitério, de Neil Gaiman, que eu estava há um bom tempo querendo ler. E claro, os tais vampiros que nunca me largam, com uma leitura inesperada de Lua Nova, de Stephenie Meyer, pra acabar de vez com meu lapso de acompanhamento da saga Crepúsculo. Vamos lá, então.

Nick Hornby é conhecido principalmente por Alta Fidelidade, um livro sobre um dono de loja de discos lamentando o pé-na-bunda que recebeu da namorada, adaptado para os cinemas com John Cusak estrelando o filme. É dele também O Grande Garoto, que teve o mesmo destino, mas esse com Hugh Grant de protagonista. Hornby ainda tem muitos outros livros que foram sucesso de vendas, e tem um estilo que agrada sempre a seus leitores, principalmente os aficionados por música. O autor tem claramente uma forte ligação com ela, e em seu novo livro isso não é diferente. Juliet, Nua e Crua é o meu primeiro Hornby.

Na verdade, é a continuação de um livro que comecei semana passada e estou quase terminando. Estou lendo meu primeiro Nick Hornby, que é o último lançamento dele, pela editora Rocco: Juliet, Nua e Crua. Eu sei da boa fama do autor, e infelizmente não li (nem assisti) aquele que parece ser o mais famoso dele, Alta Fidelidade. Na verdade,  a minha vontade de assistir é mais pelo John Cusak. Enfim, pelas resenhas que já li, Juliet, Nua e Crua não foge do estilo de outros de seus livros, o que faz alguns pensarem que é mais do mesmo, e outros de que o cara é realmente muito bom. Como não li nada dele antes, to achando muito bom.