Se um diretor consegue condensar 700 páginas de um livro em duas horas de filme, então um escritor pode transformar duas horas de filme, ou uma carreira inteira de um diretor, em 10 páginas de um conto – ou mais, ou até menos. E dezessete escritores, cada um com seu diretor preferido, reúnem esses contos em 24 letras por segundo, último lançamento da Não Editora. Organizada pelo não-editor Rodrigo Rosp, que encarna Woody Allen no conto “Todos os homens dizem eu te amo”, a proposta da antologia é homenagear grandes diretores do cinema baseando-se em suas obras, trazendo para a literatura as principais referências de seus filmes.

Se os textos estão carregados de pedaços da história do cinema, com o livro em si isso não poderia ser diferente. O que o destaca, além da proposta, é a capa de Samir Machado de Machado também autor de um dos contos, inspirado em Steven Spielberg – e o projeto gráfico de Guilherme Smee, que fazem do livro uma capa de VHS vinda direto dos anos 1980. Antes de começar a leitura, é bom gastar bons minutos para olhar todos os detalhes do exemplar, cada referência colocada na contracapa, na folha de rosto, nas imagens que abrem os contos. 24 letras por segundo é o tipo de livro que torna insossa a leitura em um e-reader por conta de sua qualidade gráfica, coisa que nenhum leitor digital conseguiria imitar. 

Com o objetivo de divulgar autores gaúchos no próprio estado e dar mais visibilidade para seus livros, autores, jornalistas e pessoas ligadas à literatura organizaram um “evento” muito bacana. É o Campeonato Gaúcho de Literatura, que confronta livros publicados em 2008 e 2009 para escolher o melhor, o com mais técnica, com os melhores “jogadores”… Enfim, o com a história mais envolvente e mais bem feito. E quem vai julgar isso? São várias partidas que definirão os classificados para a grande final, e juízes vão apitar os jogos, ou melhor, fazer resenhas. Legal, não é? Legal também é que eu, Taize Odelli, fui escolhida para ser um dos juízes do CGL!