No Himalia, em 1970, uma americana de 45 anos procura o esquecimento entre as montanhas. Ela simplesmente chegou lá, sem dizer nada nem nada fazer. Procurou um canto para ficar e, assim, viver enquanto se prende em um transe que a torna um mistério no lugar. A Mulher Sem Palavras, romance de Marcelo Barbão, relata a vida de uma pessoa que, mesmo sem falar – por escolha própria –, tem muito a dizer. Sua protagonista não tem nome, o que faz dela um mistério também para o leitor, mesmo sendo ele o alvo dos seus relatos. Essa aura enigmática está presente no próprio texto, um relato cortado entre os tempos que aos poucos monta sua história.

No século XVI, na região de Auvergne, na França, a história das mulheres-lobas continua envolta em mistérios e dores impossíveis de reparar. Iniciada a trama em O Baile das Lobas – Volume 1: A Câmara Maldita, a escritora francesa Mireille Calmel conquistou milhares de leitores com seu drama que envolve vingança, amor e magia. A história de Isabel, uma jovem camponesa que viu seu marido morrer e sofreu abusos do senhor de Vollore, Francisco de Chazeron, para satisfazer a seus caprichos, não havia terminado. Um segundo livro dá cabo dessa trama que narra a vida de gerações dessas mulheres que procuram apenas a cura de sua maldição. O Baile das Lobas – Volume 2: A Vingança de Isabel (Nova Fronteira), fecha essa história se perdendo em sub-tramas que prolongam a sua leitura.

Livros que falam de injustiças e casos familiares delicados geralmente contêm uma carga forte de emoção para que o leitor se envolva o máximo possível com a história. Autores como R. J. Ellory (Uma Crença Silenciosa em Anjos) e DBC Pierre (Vernon God Little) fazem isso em seus romances: levam o leitor a questionar as personagens, se solidarizar com elas e sentir em si mesmo os problemas que enfrentam. Assim deveria ser com Rio Abaixo, de John Hart, mas o lançamento da editora Record peca na hora de simpatizar o leitor com seu protagonista.

Mentira é uma daquelas coisas que ninguém gosta, mas são fundamentais. É o mecanismo que usamos para elogiar o cabelo horrível da chefe e evitar mau-humor dela, por exemplo. Mentiras, dizem, são praticamente a base para a convivência social. São coisas necessárias. É o que o jovem John Egan percebe em O Menino que Odiava Mentira, da inglesa M. J. Hyland, publicado aqui pela Companhia das Letras. Sim, John é esse menino, e o fato de ele odiar mentiras vem justamente do que elas causam à ele: mal estar.

Em 1888, na noite de 7 de novembro, Jack, O Estripador, fez sua última vítima: Marie Kelly, prostituta, assim como todas as outras mulheres que matou. Mas esse assassinato não tirou apenas uma vida. Ele acendeu a vontade de acabar com outra, a do jovem Andrew Harrington, amante de Marie Kelly. Inconformado com a morte de sua amada, oito anos depois o jovem rico de Londres decide tirar sua própria vida. Porém, seu primo e melhor amigo, Charles Winslow, o convence a desistir do suicídio apresentando-lhe uma maneira de salvar Marie Kelly: viajar no tempo e matar o serial killer.

O que leva uma pessoa a cometer um crime? Pobreza, situação social, vontade, superioridade, ganância? E qual é a conseqüência desse crime? Podemos listar diversos casos onde o criminoso era um psicótico que não conseguia parar de matar ou um pai de família, tentando conseguir comida para os filhos. E as conseqüências podem ser prisão, morte, ou até liberdade sem nenhuma suspeita. Dependendo do caso, tudo ou nada pode acontecer. A reflexão sobre o que leva alguém a cometer um crime e o que acontece com essa pessoa é o que Fiodor Dostoiévski faz em um de seus mais famosos romances, Crime e Castigo.

Quando fui saber quem era John Boyne vi seu nome ligado ao best-seller O Menino do Pijama Listrado. A obra é bastante recomendada, mas dela vi somente uma imagem de sua adaptação cinematográfica. Imagem essa que dizia ser uma história triste, que pega pela emoção. Quando peguei O Palácio de Inverno, terceiro livro do autor publicado no Brasil pela Companhia das Letras, esperava apenas mais uma boa história que mistura a ficção à realidade, e não algo tão emocionante. E levar o leitor a pensar isso, inicialmente, é o objetivo do livro.

A grande sensação hoje é ser imortal. E ao ter vida eterna, é pré-requisito viver um amor que também ultrapasse as barreiras do tempo. A leva de livros que falam de seres sobrenaturais que possuem índole impecável e coração maior que tudo só faz com que se pense em uma coisa: contos de fada. Livros como Crepúsculo, Diários do Vampiro, Sussurro e Lua Azul, da série Os Imortais escrita por Alyson Noel, são a Cinderela, a Branca de Neve e A Bela Adormecida da modernidade. Tudo porque falam de amores incríveis que duram para sempre.

Comemorando a data cada vez mais próxima da estreia do novo filme da saga Crepúsculo nos cinemas, a editora Intrínseca lançou uma nova edição do livro Eclipse, com capa referente ao longa. Como só havia lido Crepúsculo, e recentemente A Breve Segunda Vida de Bree Tanner, Eclipse é novidade. Mas até certo ponto, porque assim como o primeiro livro – e provavelmente como o segundo, Lua NovaStephenie Meyer não muda sua forma de narrar: se arrasta em centenas de páginas sem relevância e bota toda a ação no final.

Enquanto todos os fãs de Stephenie Meyer aguardavam por alguma notícia sobre o último capítulo da saga Crepúsculo, eis que surge uma novidade: o livro ainda não será lançado. Porém, os leitores foram agraciados com uma história paralela da do vampiro Edward e da humana Bella. Trata-se de A Breve Segunda Vida de Bree Tanner, uma visão renovada da derradeira batalha entre os Cullen e o exército de Victoria em sua vingança contra a “humana de estimação” do clã de vampiros de Fork.