Todo mundo adora falar de liberdades individuais — alô, liberais —, mas quando o assunto é a morte e a sua saúde, todo mundo gosta de se meter na sua liberdade individual de desejar, quiçá, querer morrer antes que uma doença o torne incapaz de viver sozinho. Eu penso nessa questão às vezes: ao descobrir uma doença, será que eu teria esperança de que um milagre pudesse acontecer? Acredito que não. Pessoalmente, acho a eutanásia a maneira mais elegante de deixar esse mundo quando seu corpo começa a falhar. Mas esse é aquele tipo de debate que ainda causa discussões fervorosas a favor da vida. O que você está enfrentando, de Sigrid Nunez (Editora Instante, tradução de Carla Fortino), é uma leitura que apresenta essa questão muito bem. 

Histórias sobre suicidas têm um certo apelo para mim. Houve uma época, anos atrás, que eu estava numa fase de ler só sobre suicídios: As virgens suicidas, do Jeffrey Eugenides; Norwegian Wood, do Haruki Murakami; Suicídios exemplares, do Enrique Villa-Matas. O que talvez diga muito sobre o meu psicológico daqueles dias. Sempre fui voltando para essas histórias, mas com parcimônia. A desse ano foi O amigo, de Sigrid Nunez (Editora Instante, tradução de Carla Fortino), vencedor do National Book Award de 2018.