Segundo Silvia Federici, “o ponto zero é tanto um local de perda completa quanto um local de possibilidades, pois só quando todas as posses e ilusões foram perdidas é que somos levados a encontrar, inventar, lutar por novas formas de vida e reprodução”. No contexto de O ponto zero da revolução, o segundo livro da autora de Calibã e a bruxa publicado pela Editora Elefante (tradução do Coletivo Sycorax), isso significa reconhecer a realidade em que vivemos e fazer um chamado para uma política em que as mulheres sejam reconhecidas como os principais sujeitos da reprodução de sua comunidade.

Os contos de fadas e filmes de terror estabeleceram a imagem da bruxa em nosso imaginário. Mulheres velhas, narigudas, com verrugas, que andam em vassouras e participam de cultos ao diabo em volta de fogueiras. Comem criancinhas e realizam outros sacrifícios. Jogam pragas e fazem feitiços. Crescemos com essa concepção de bruxa, e ela é, talvez, ainda a primeira coisa que vem na nossa mente quando ouvimos essa palavra.