O ser humano é um animal dotado de racionalidade que tem todas as escolhas nas suas mãos. Pode escolher seguir os impulsos instintivos do que ainda resta de sua natureza selvagem, ou viver em harmonia com a sociedade seguindo as suas regras éticas e morais. É da escolha dele viver intensamente ou prezar pela tranquilidade dos fins de semana em casa. É totalmente sua a responsabilidade de se empenhar nos estudos e trabalhar arduamente para, anos depois, recolher os frutos na aposentadoria. Ou vagabundear pelo mundo sempre sem dinheiro, mas com liberdade. E também é da escolha dele, simplesmente, viver ou tirar a própria vida. Sim, nós podemos deixar a existência física – e eu acredito, a consciência – no momento em que quisermos. Nós podemos nos matar, suicidar. Mas nem todos conseguimos.

Em Suicídios exemplares, o catalão Enrique Vila-Matas elenca uma série de histórias em que os protagonistas flertam constantemente com a opção da morte. Não são personagens deprimidas, num todo, como o leitor pode imaginar ao começar a ler o livro. O suicídio, muitas vezes, não é o deles, mas de alguém em volta que por algum motivo exerce alguma atração em pensar sobre a própria morte, imaginar inúmeras possibilidades de se deixar levar por ela. Mas ela, apesar de rondar quase todas as linhas desse livro, nem sempre é alcançada.