Patricia Cornwell é um dos principais nomes da literatura policial norte-americana. Suas personagens principais não são os detetives durões ou policiais justos, como estávamos acostumados a ver antes de séries como CSI, Bones e tantas outras que se focam na medicina forense. Sim, seus protagonistas são médicos-legistas. Cornwell é quem chamam da precursora dessas séries tão famosas. Com a personagem Kay Scarpetta, a autora colocou no centro das investigações policiais mais mirabolantes a figura da médica, uma mulher forte, linda e com uma inteligência fora do comum. Scarpetta é protagonista de muitos de seus romances, publicados no Brasil pela Companhia das Letras.

Agora foi lançado mais um livro com a doutora, dessa vez pelo novo selo da editora, a Paralela. Scarpetta reúne novamente a equipe que sempre colaborou com a médica-legista, todos envolvidos em um clima de tensão devido a problemas enfrentados em suas relações pessoais. Na virada do ano de 2007 para 2008, uma mulher anã, Terri Brigdes, é assassinada dentro de seu apartamento, e seu namorado, também um anão, é o principal suspeito do crime. Ele voluntariamente se interna no Hospital Bellevue, conhecido por abrigar criminosos, e exige ser examinado por Kay Scarpetta, que todos conhecem pelas constantes aparições na CNN, e seu marido, Benton Wesley. Paranóico, Oscar Bane age com medo e está crente de que vinha sendo seguido e monitorado, levando Scarpetta a duvidar de sua culpa no crime.

Alcoólatra, abandonado pela namorada e prestes a perder o emprego, Harry Hole vive vários dramas ao mesmo tempo no calor do verão norueguês, uma vida prestes a se perder definitivamente. Abalado pela morte de uma colega da polícia, o detetive ainda tenta acusar Tom Waaler, seu inimigo, pela morte dela, mas sua instabilidade psicológica só vai contra as suas verdadeiras intenções. Quando uma jovem é assassinada em seu próprio apartamento no centro de Oslo, a embriaguez do detetive só agrava seu estado delicado, o que leva à demissão. Porém, o período de férias coletivas obriga a polícia da cidade a chamá-lo de volta para solucionar um caso que tem de tudo para ser mais do que um simples assassinato.

A trama do norueguês Jo Nesbo em A estrela do diabo, com tradução para o português publicada pela editora Record, traz de volta o protagonista de A casa da dor e Garganta vermelha. Mais que um romance policial, Nesbo dá destaque para os dramas do protagonista e outras personagens que fazem parte da rede de segredos e crimes que corrói Oslo. O autor caracteriza Harry Hole como uma pessoa descontrolada, incapaz de se manter sóbrio enquanto os problemas se multiplicam à sua volta. Não é só o abandono e o álcool que lhe tiram o sono, mas também os sonhos com e um trauma de infância e a ameaça do inspetor Waaler que tenta colocá-lo dentro de seu esquema de corrupção na polícia. O caso do serial killer, então, parece ser apenas uma oportunidade para o autor confrontar os problemas de cada personagem.

Problemas pessoais, mistério e atentados terroristas são os elementos principais do novo romance de Giorgio Falettipublicado aqui no Brasil pela editora Intrínseca. Conhecido pelo livro Eu Mato, lançado no ano passado, o autor italiano volta com um thriller que prometia o sucesso de seu primeiro romance. Porém, Eu Sou Deus deixa a desejar, principalmente se o leitor espera crimes mirabolantes e mais atenção para as ações do assassino no livro que tem em mãos. Não é só o número reduzido de páginas que tira o brilho do terrorista desconhecido que ataca Nova York, mas o próprio foco que o autor escolheu dar a outras personagens, seguindo uma fórmula que usou em Eu Mato, mas com suas diferenças.

Na rica e exuberante Monte Carlo, na província de Mônaco, o número de policiais nas ruas é maior que o número de crimes. Toda essa paz que envolve a cidade se esvai de um dia para o outro, depois de uma ligação feita para o programa mais ouvido da rádio local. Um e nenhum, ou Ninguém, compartilha com Jean-Loup, o DJ da rádio, sua angústia, e diz também o que faz para se livrar dela. Ele Mata. Uma música toca e a ligação se encerra. E então ele pasa a matar, deixando sempre uma pista através da música.