Uma trilha de sinais inunda o chão de uma casa. Passando por portas e cômodos do lugar, ela termina em um quarto, saindo dos ouvidos de um homem que acabou de chegar ao lar. Ele está esvaziando sua cabeça de tudo o que viu no trabalho, no ônibus, nas ruas, na fila do banco. Todas as músicas que tocaram nos alto-falantes dos celulares, todas as fofocas sobre novelas e os papos sobre futebol. E ao chegar em casa,  a primeira coisa que faz é se livrar desses vestígios da cidade grande, de tanto barulho e poluição visual, para poder dormir em paz e abrir espaço para novas coisas que irá ouvir e ver no dia seguinte. Não, isso não é explicitamente narrado por Rafael Sica em seu livro lançado pelo selo Quadrinhos na Cia. Essa é a minha interpretação da primeira tirinha de Ordinário, um trabalho que fala de coisas corriqueiras, digamos simples, mas complexas ao olhar atento do leitor.