Podemos imaginar que a relação entre brancos e negros nos Estados Unidos de 1690 – e em qualquer outro lugar do mundo – não era a das melhores. A escravatura estava nascendo junto com o próprio país, embora alguns negros já pudessem comprar a sua liberdade e viver e trabalhar como qualquer outra pessoa. Mas o próprio país norte-americano ainda não vivia a sua independência, que viria apenas em 1776. É nesse contexto que Toni Morrison monta a história de Compaixão, livro originalmente publicado em 2008 que não deixa de lado o tema central de toda a sua obra: a mulher negra na sociedade.

Florens é uma adolescente escrava, entregue como parte do pagamento de uma dívida a um fazendeiro anglo-holandês que possui uma pequena propriedade no norte do país. Jacob Vaark não é um homem com muito jeito para os negócios da fazenda, e aceitou Florens ainda criança como escrava em uma de suas viagens de negociações. A compaixão pela pequena oferecida pela mãe falou mais alto que a primeira negativa dada a seu dono. Assim, a jovem se juntou a mais outras duas mulheres negras da casa de Vaark, também escravas: Lina, a mais velha que a tomou como filha; e Sorrow, outra adolescente acolhida por ele que foi encontrada em um naufrágio, que apresenta certos distúrbios mentais e está grávida. Na casa ainda vive a esposa do fazendeiro, Rebekka, uma inglesa que aceitou casar-se com ele para iniciar uma nova vida, mas que agora se sente deprimida por conta da perda de todos os seus filhos na mais tenra idade.