A leitura é mais do que um simples entretenimento. Ou pelo menos parece despertar mais sentimentos, ser mais profundo do que qualquer outro tipo de mídia que conte alguma história. A relação entre livro e leitor é íntima: a leitura se dá, geralmente, de forma solitária. Apenas presente o leitor, o livro e a imagem do autor que paira entre esse ambiente – podendo ou não sua vida influenciar na interpretação do texto. Um dia, dois, uma semana ou um mês, um livro pode durar o tempo que o leitor quer que ele dure, se bem que existem aqueles que se impõem e fazem a leitura ocorrer mais rápido do que se espera, ou o contrário. Austin Wright, escritor norte-americano falecido em 2003, retrata muito bem essa relação entre narrativa e leitor em Tony & Susan, livro publicado em 1993 que ganhou nova edição pela editora Intrínseca, uma espécie de “metaleitura” em que se acompanha a experiência de uma personagem com um livro.

Susan é professora e crítica literária, mãe de três filhos e casada com um médico. Arnold é seu segundo marido, o homem com quem ela traiu Edward, seu parceiro na juventude. Edward era um jovem melancólico que sonhava em ser escritor e trabalhou muito para isso, mas seus textos nunca eram bons o bastante para sua maior crítica, sua própria esposa. Depois 25 anos longe de Edward e seus escritos, Susan recebe em casa um manuscrito seu com o pedido de que lesse e desse a ele a sua opinião sobre o romance. A leitura foi adiada durante meses devido à sua apreensão de novamente magoar a veia literária do ex, mas a vinda de Edward para a sua cidade a incentiva a ler. Então, durante uma viagem de Arnold, Susan se envolve com a leitura.