Para quem conheceu Thomas Pynchon lendo Contra o dia – seu calhamaço de mais de mil páginas com inúmeras histórias e personagens que não parecem fazer sentido algum – enfrentar Vício inerente é bem mais tranquilo. Sim, fiz a doidice de começar a ler o autor mais recluso e zoeira de todos com uma história nada fácil, e maravilhosa. Vício inerente já estava há algum tempo na minha pilha de leituras – assim como está Mason & Dixon – e decidi dar a vez a ele por um motivo bem claro: o livro está sendo adaptado para os cinemas por Paul Thomas Anderson, e deve estrear ainda este ano. Em casos especiais, eu gosto de ler o livro antes de ver o filme.

Vício inerente é uma história de detetive que resgata o protagonista de Vineland e O leilão do lote 49. Larry “Doc” Sportello é um detetive particular que viveu intensamente a época do Flower Power e toda a cultura hippie dos anos 1960. Mas neste livro, que situa o protagonista no início dos anos 1970, a cultura hippie já não está tão em alta, e aos olhos de muitos Doc não passa de um maconheiro fracassado. Pois sim, ele vive chapado, e não esconde isso de ninguém. A maconha, aliás, tem papel importante em toda a jornada do livro.