Faltam poucos dias para 2014 acabar (poderia colocar o número de dias aqui, mas sou tão ruim com números que poderia errar esse cálculo fácil, então vamos usar o “poucos dias” mesmo), e esse foi um ano bom profissionalmente, pessoalmente, mas fraquíssimo na minha intensidade de leitura – provavelmente por estar tão ocupada com as coisas fora dos livros, né – e também por usar o tempo no ônibus para dormir mais.

Mas vamos lá: foram 27 livros lidos ao todo (sim, só isso), e há ainda quatro em processo de leitura – Graça infinitaque está maravilhoso, O demônio do meio-dia, que interrompi justamente por causa do Graça, mas que também estava ótimo, A balada de Adam Henry, a atual leitura de ônibus (pois né, difícil carregar DFW por aí), e Oblómovque já vou até considerar aqui como “abandonado” porque sei que vou levar eras até pegar ele de novo – tiro da conta o Dom Quixote marcado como “lendo” no Goodreads porque li o primeiro volume no ano retrasado e falta só o segundo, hehe.

De todas as alergias que existem no mundo, certamente a mais estranha que tive conhecimento até agora foi a aversão à marcas registradas. Quando li a sinopse de Reconhecimento de padrões, de William Gibson, imaginei algo ideológico. Pensei que Cayce Pollard, sua protagonista, tivesse algum tipo de pensamento contra o marketing em geral, a cultura das marcas e sua exposição excessiva. Mas não: a aversão que ela tem é realmente física. Iniciada quando criança, ao ver aquele bonequinho dos pneus Michelin, e daí para frente se repetindo com qualquer marca famosa reconhecível em todo o mundo: ânsia de vômito causado por bolsas Louis Vuitton, dores de cabeça espontâneas ao ver uma placa do McDonald’s. Coisas desse tipo.

Cayce sofre com essa aversão por ter uma sensibilidade aguçada para logotipos. Por ter esse dom – ou fardo, dependendo do ponto de vista – ela é capaz de dizer rapidamente se uma nova marca ou tendência fará sucesso no mercado ou não. Usando a sensibilidade a seu favor, ela atua como uma espécie de consultora, contratada por grandes agências do mundo todo para avaliar suas ideias e campanhas e indicar o que será ou não desejado nos próximos meses – uma coolhunter. Contudo, o último trabalho para o qual foi contratada se mostrou um desafio maior do que ela poderia imaginar. Por trás da avaliação de um novo logotipo para uma marca de tênis esportivos havia uma disputa de cargos na qual ela não queria se envolver, o autor misterioso de um filme cultuado pela cena artística alternativa e um novo pedido de cooperação com o dono da agência Blue Ant, que ela considera ser a pessoa mais repugnante do planeta.